A crise no CDS foi um dos temas do habitual espaço de comentário de Paulo Portas ao domingo na TVI. O antigo presidente dos centristas considera “grave” a situação interna do partido, e garantiu que faria tudo o que pudesse, “incluindo pedir muita indulgência” aos seus princípios democráticos, para se manter no CDS.

Portas teceu críticas à atuação da direção de Francisco Rodrigues dos Santos, comparando-a a uma “associação de estudantes com más práticas” e denunciando a sua atuação em relação às saídas recentes do partido.

Fico muito impressionado quando um diretório fica contente com a saída daquele que é provavelmente o melhor gestor da sua geração [António Pires de Lima], (…) ou quando passam dois anos a tentar tirar do Parlamento a melhor deputada da Assembleia da República, que é a Cecília Meireles. Há qualquer problema de bom senso nesta maneira de gerir”, afirmou o comentador da TVI.

Portas alertou para o facto de um partido "pequeno" como o CDS “não crescer se se dividir”, e sugeriu ao atual líder dos centristas “conversar com o opositor” para chegar a um acordo quanto à realização do congresso, aos limites à animosidade dos discursos e sobre o princípio de "respeito mútuo".

O antigo líder do partido centrista terminou a intervenção, dizendo que um líder de um partido democrático não cancela eleições internas, “pela simples razão de que ficará sempre a dúvida de que as cancelou por medo de as perder”.

Crise política resulta de "erro de avaliação de BE e PCP"

Sobre a atual crise política, espoletada pelo chumbo da proposta de Orçamento do Estado para 2022, Paulo Portas afirma que esta resulta de um "erro de avaliação de BE e PCP.

O Bloco de Esquerda anunciou que iria votar contra pensando que o PCP se 'atravessaria', e não mediu, depois das eleições autárquicas, que o PCP tinha cada vez menos condições para poder ‘atravessar-se’”, considerou o comentador.

O comentador acredita que estes dois partidos serão "penalizados" no próximo sufrágio, e acha "estranho" que ambos digam que não são necessárias eleições após terem "causado a queda do Orçamento".

Sobre a proposta, Portas diz que "não é excessivamente diferente das anteriores", mas que inclui um "anexo" sobre o qual o primeiro-ministro "perdeu o eixo", pois o que "ofereceu" a BE e PCP, em matéria de reforma laboral, "não beneficiaria a economia".

Para o comentador, António Costa tem, agora, um problema: "Dizer aos portugueses, depois das eleições, se as vencer, com quem irá governar".

A atuação do presidente também foi criticada por Paulo Portas, que sugeriu que este deveria ter recomendado ao primeiro-ministro um acordo "de mínimos" com o PSD para a elaboração de um Orçamento, para que "a vida da administração, das famílias e das empresas não paralisasse".

Acerca da data das eleições, o comentador não estranha que tanto PS e PSD defendam a realização das mesmas na mesma data, o dia 16 de janeiro.

António Costa prefere disputar eleições com Rui Rio na liderança do PSD, ninguém tem grandes dúvidas disso. (...) Rui Rio prefere esta data para arranjar um enorme problema prático à candidatura de Paulo Rangel".

 

Contudo, apesar do consenso em torno desta data, Paulo Portas considera "improvável" que as eleições se realizem a 16 de janeiro, dadas as regras da Comissão Nacional de Eleições no que respeita à realização dos debates entre candidatos. O comentador aponta, por conseguinte, aos dias 30 de janeiro e 6 de fevereiro como os "possíveis" para a realização das próximas legislativas.

Pedro Falardo