Este domingo, no espaço de comentário semanal "Global", Paulo Portas classificou a situação pandémica de Portugal como "séria e grave", ao constatar que o país está a registar 681 casos por cada 100 mil habitantes, quando o limiar do primeiro-ministro sempre foi os 240 casos. 

Chamou à atenção para o facto de Portugal, no espaço de um mês, ter ficado acima da média europeia, com um índice de fatalidade a subir de 1.2 para 7.8. Por todas estas razões, o comentador da TVI dá como certa a renovação do estado de emergência mais do que uma vez.

Se tivesse que prever alguma coisa, a menos que haja uma redução drástica nesta semana, eu apontaria para a renovação do estado de emergência uma ou duas vezes, disse. 

Paulo Portas constatou ainda que o crescimento de casos ainda não desceu, ou seja que a curva ainda não cedeu, mas que o número de novas infeções tem estado relativamente estável. 

Fez um apelo ao Governo, especialmente a António Costa, para que pense bem em como vai implementar medidas daqui para a frente, dando como exemplo o mau resultado do confinamento mais apertado no fim de semana e o apoio de 20% ao setor da restauração. 

Não é possível, a meu ver, continuar a anunciar planos que depois não se convertem em leis, não se convertem em procedimento".

 

Permita-me dizer isto com a ironia de uma amiga minha: esta solução de ‘ajudinha para o couvert dos restaurantes’, que é partindo da comparação do ano de 2020, que foi uma catástrofe para a restauração, subsidiar em 20% a diferença das perdas. Oiça, isto não é aceitável se o estado de emergência for renovado. Nós estamos no mês das compras de natal, no mês em que se paga o 14º mês e estamos num mês em que há varias celebrações de compras organizadas”, acrescentou. 

Vacina Pfizer: “O mundo precisa desta vacina dramaticamente para mudar de atitude"

Paulo Portas disse que houve algumas acelerações nos anúncios dos avanços de algumas vacinas, mas, em contrapartida, considerou como "absolutamente extraordinário" o facto de em 11 meses existir um protótipo. Nesse sentido, relembrou que nos últimos dez anos, todas as vacinas que foram aprovadas demoraram oito anos, mais um ano em processo regulatório.

Falando especificamente de uma das vacinas mais promissoras contra a covid-19 - parceria entre a Pfizer e a BioNTech -, Portas apontou a efetividade como um dos pontos fortes. No sentido oposto, criticou a necessidade de serem administradas duas doses. 

Esta vacina foi anunciada com base em resultados preliminares da fase 3, que é a última, que envolve milhares e milhares de voluntários, neste caso, 44 mil, mas ainda não foi publicada em nenhuma revista científica, nem revista por pares”.

O comentador ressalvou que apesar dos 44 mil voluntários, os tais 90% de efetividade só foram detetados em 94 doentes. Ora, para uma resposta mais conclusiva, são precisos pelo menos 164 casos.

Outros dos contras tem que ver com o "preço não pandémico". Uma vez que a Pfizer se recusou a receber fundos, isso faz desta vacina mais cara que as restantes. Por fim, o último ponto fraco é o transporte e o armanezamento. A vacina da Pfizer tem de ser transportada e preservada a 75 graus negativos.

O mundo precisa desta vacina dramaticamente para mudar de atitude psicológica, para vencer o medo, para se sentir confortável e para recuperar economicamente”.

Houve ainda tempo para falar sobre a transição de poder nos Estados Unidos e para fazer uma referência à morte de Gonçalo Ribeiro Telles.

Cláudia Évora