"Eu acho que já não há democracias felizes", afirmou Paulo Portas no seu espaço de comentário semanal, no Jornal das 8, “Global”, ao referir-se ao protesto dos "coletes amarelos" em França. Paulo Portas diz que não está impressionado com "o número de manifestantes", que "nem sequer é excessivamente grande comparado com outros movimentos sociais em França", todavia assume estar impressionado com o apoio dado ao movimento pela maioria dos franceses.

"O que me impressiona evidentemente, sem apoiar a violência e o caos, é o facto de dois terços dos franceses parecerem dar razão às razões de queixa (...) Isso parece determinar o fim do consórcio feliz entre Macron e a França ou, até, a certidão de óbito dessa relação."

O comentador fez questão de referir ainda que na origem dos protestos está "o aumento dos impostos sobre os combustíveis, nomeadamente, o diesel". Ironizando em seguida que o "campeão do acordo de Paris" tropeçou na sua primeira medida.

Logo em seguida, Paulo Portas abordou a realização da Cimeira do G20, dizendo que o encontro fica "marcado por uma reunião que existiu e por uma reunião que não existiu". Ressalvou que o encontro entre as delegações norte-americanas e chineses serviu para "ganhar tempo" ao assumirem uma "moratória comercial" que adia o aumento do pagamento de taxas entre os dois países.

Por acontecer ficou o encontro entre Donald Trump e Putin, mas para o comentador da TVI não há dúvidas de que "qualquer coisa que faça o presidente dos Estados Unidos com o presidente da Rússia, nasce uma comissão de inquérito", por isso, "os EUA estão paralisados em relação à questão da Rússia".

Já em relação aos números conhecidos esta semana sobre a carga fiscal em Portugal, Paulo Portas assume que "a pressão fiscal em Portugal aumentou, mas também aumentou na mesma proporção na União Europeia": Além disso, os números acabam por revelar o que nunca foi assumido nesta legislatura e que é o facto de a austeridade não ter acabado: "foi apenas desviada para os chamados impostos indiretos".

Lamentou ainda que o país esteja "a perder competitividade em matéria de atração de empresas" devido às mexidas no IRC.

Quanto a outra notícia que marcou a semana, sobre duas bebés chinesas que tinham sido alteradas geneticamente, Paulo Portas defendeu que "a genética sem ética pode ser uma coisa muito perigosa".

Para as notas finais ficou o elogio ao realizador de cinema italiano Bernardo Bertolucci, que morreu na última semana.