"Os factos que estão a acontecer podiam não ter acontecido", diz Paulo Portas sobre a cerca sanitária em Odemira e o realojamentos dos trabalhadores imigrantes.

No seu espaço de opinião semanal na TVI, "Global", Portas aponta vários erros na atuação do Governo neste caso. A começar pelo facto de fazer uma requisição civil para usar as habitações que pertencem a particulares:

O Ministro da Administração Interna creio que se excedeu, porque Portugal não pode ter a presidência da União Europeia e depois fazer com estrondo requisições dizendo que as indemnizações são irrelevantes", diz o comentador.

 

Se aquilo que está em causa é os trabalhadores migrantes que possam ter contágio fazerem a sua quarentena, um alentejano há de perguntar-se porque é que o Estado é lesto a fazer hospitais de campanha nas cidades e não os pode fazer no campo."

Além disso, Portas recorda que a Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano "há uns anos propôs fazer casas alentejanas para os trabalhadores nas herdades" mas não teve autorização para o fazer "por causa do ordenamento". Depois disso, tentou fazer "habitações provisórias" e também não se pôde fazer, porque questões de ordenamento e ambiente. Até que em 2019 se chegou à solução dos contentores.

"Com este passado eu não teria o género de decisão eufórica como aquela que o ministro anunciou", disse.

"Se nós não tivéssemos tanto fundamentalismo em certa legislação do ordenamento estas pessoas viviam melhor."

Por fim, Portas recordou que "estes trabalhadores têm um contrato coletivo de trabalho com a associação dos horticultores e o pagamento da jorna está acima do salário mínimo". 

Esta é, portanto, "uma lição para os demagogos que andam a dizer que Portugal não precisa de imigração". A verdade, diz, é que não era possível fazer nem colheitas nem a apanha da fruta sem a imigração". Por isso, defende, "estas pessoas têm direito a ter sossego e serem respeitados e a não serem objeto de discursos políticos incendiários".

"Precisamos de ligar a imigração às necessidade de trabalho e quando o fazemos respeitar as pessoas", diz Portas, recordando ainda todos aqueles que criticam os imigrantes que esta é uma situação bem conhecida dos portugueses: "Nos anos 60 do século passado os portugueses foram para França fazer os trabalhos que os franceses já não queriam fazer".

Confusão com a AstraZeneca

Paulo Portas considera que a mais recente recomendação da DGS sobre a AstraZeneca é um "texto confuso". "E num processo de vacinação dispensa-se a confusão. Aquilo diz ao mesmo tempo sim, não e talvez", considera. Dizendo ainda: "A DGS já teve melhores dias".

Além disso, o comentador da TVI critica o facto de a entidade responsável transferir a responsabilidade da toma da vacina para os cidadãos.

"A DGS diz que não se pode dar a menos de 60 mas se uma pessoa quiser mesmo tomar, então, assine um papel e faça o favor. Não acho bonito uma autoridade técnica fazer isto", criticou.

"A minha esperança é que ainda clarifiquem isto, porque acho que pode ser confuso."

/ MJC