Paulo Portas considera que os portugueses têm alguma dificuldade em encontrar o equilíbrio entre "8 e 80" e, por isso, tendem a "oscilar entre momentos de euforia e momentos de melancolia": "Infelizmente estamos agora num momento de melancolia".

Para o comentador da TVI, para entender a "gravidade e a severidade daquilo que sucedeu com as viagens do Reino Unido para Portugal" é preciso ter em conta que os turistas ingleses representam 19% das dormidas de estrangeiros em Portugal e quase 18% das receitas deixadas no nosso país. 

Isto significa que, com a decisão do Reino Unido e com o cancelamento das viagens dos britânicos, passamos de uma previsão de 1.200 voos do Reino Unido em três semanas para 75 a 100 voos neste período, o que tem, obviamente, um enorme impacto na economia nacional e nas empresas do turismo, em particular. 

Significa perder 150 mil a 200 mil turistas só nestas três semanas, o que é uma tragédia", afirmou Portas no seu espaço semanal de comentário na TVI, "Global".

Na opinião de Paulo Portas, as autoridades britânicas estão preocupadas porque "têm de fazer o desconfinamento total a 21 de junho e estão com medo", uma vez que o número de novos casos no Reino Unido subiu 22% nas últimas duas semanas.

Estão com medo da chegada de pessoas que não possam garantir a sua imunidade", afirma Portas.

O desconfinamento total pode estar em causa, "hoje já admitiram isso."

Por outro lado, "Portugal pôs-se a jeito e as autoridades portuguesas puseram-se a jeito", considera.

A incidência de covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo passou de 67 para 181 novos casos por 100 mil habitantes em três semanas.

"Onde é que a coisa começa a correr mal? A seguir às celebrações da vitória do Sporting", reafirma Paulo Portas. "Aquilo que se passou foi um super-evento que se transformou num super-contágio."

O aumento dos contágios associado a dois super-eventos que foram uma decisão nacional - a celebração da vitória do Sporting e depois aquele facto quase vexatório de ter sido exportado para cá a final da Champions."

E isso leva o comentador a perguntar: "Porque é que nós aceitámos, por causa dos likes, porque o desporto é muito popular, porque queremos ser simpáticos, porque é que aceitáos milhares de pessoas a contagiarem-se umas às outras, num caso e noutro?" 

Em vez de sermos exigentes com o nosso desconfinamento, cedemos ao que era mais fácil e colocámo-nos a jeito."

E relembra: "Nós temos que abrir e não podemos fazer asneiras . Se conseguirmos aguentar-nos neste equilíbrio chegamos lá".

No entanto, Portas sublinha que a reversão da decisão britânica, "depende apenas do sucesso ou insucesso dos ingleses a conter a sua própria contaminação".

Seis milhões de vacinas já administradas

Quanto à vacinação, no dia em que foi administrada a vacina 6 milhões, Paulo Portas congratula-se pela decisão da DGS de permitir "dar a vacina da Johnson a homens com menos de 50 anos", mas sublinha que esta atualização não está  no site da Direção-Geral de Saúde:

É preciso que a DGS seja um bocadinho mais digital e menos analógica, pelo menos na velocidade", comenta.

Esta alteração poderá acelerar a vacinação, sobretudo porque a vacina da Johnson só tem uma dose.

Assim, o comentador da TVI acredita que a 15 de agosto vamos chegar aos 70% de população vacinada.

Uma exposição a não perder

Paulo Portas recomenda a exposição do artista chinês Ai Weiwei, que foi inagurada esta semana na Cordoaria Nacional, em Lisboa. "Ele é ao mesmo tempo artista, designer, comentador, ativista social", diz Portas.

/ MJC