No seu espaço de análise do Jornal das 8, "Global", Paulo Portas começou este domingo por comentar as manifestações em Hong Kong: admitindo que a China nunca irá ceder "no princípio da sua integridade territorial", Paulo Portas diz que, ainda assim, fez a leitura correta e recuou perante os protestos devido à polémica lei da extradição, entretanto suspensa. Porém, garante que os chineses têm na mira o ano de 2047, quando "Hong Kong será apenas mais uma cidade chinesa", perdendo o seu estatuto de autonomia.

Sobre os ataques a dois petroleiros no Golfo Pérsico, Paulo Portas falou sobre a importância do estreito de Ormuz, por onde passa "19% do comércio marítimo do petróleo", referindo que o Golfo Pérsico seria "um dos dois sítios mais perigosos do mundo para começar um conflito". Admite que vários países do mundo têm interesse em ver subir os preços do petróleo, nomeadamente as economias mais dependentes do comércio deste combustível, mas assinala que se houver um "descontrolo no estreito de Ormuz todas as economias do mundo sofrerão imediatamente o impacto".

Sobre o Brasil, nomeadamente sobre a divulgação de novas mensagens entre Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato, diz que será necessário aguardar as revelações prometidas, mas assinala que, como aconteceu em países europeus, "os juízes estrela acabam muitas vezes a fazer as mesmas coisas que criticavam nos outros".

Paulo Portas aborda ainda a perda de competitividade das marcas europeias, que não entram sequer no "top 10" de marcas globais, dominado pelos EUA e pela China: nesta classificação, a primeira empresa europeia - a alemã SAP, de aplicações informáticas empresariais - surge apenas em 16.º lugar.

Paulo Portas revela também que será anunciado esta semana um dos  maiores investimentos de sempre em África, e que será feito em Moçambique, por um consórcio internacional de exploração de gás. Mas assinala que "é preciso explicar muito bem à população que a riqueza que virá do gás não é uma riqueza que aconteça amanhã de manhã".