A aprovação, ou não, do Orçamento do Estado para 2022 foi um dos temas principais do comentário de Paulo Portas no seu espaço habitual de domingo, "Global", na TVI. E Paulo Portas considerou possível haver uma tentação por parte de António Costa e "preferir disputar eleições assim, do que num cenário diferente". Tudo devido à situação interna atual vivida pelo PSD e pelo CDS.

"Pode haver uma tentação do Dr. António Costa, eu nunca o subestimaria, a tentação de ter o Orçamento não aprovado e ter eleições antecipadas com o PSD e o CDS no estado atual", até porque seria normal "preferir disputar eleições assim do que num cenário diferente", afirmou.

E a situação vivida, tanto pelo PSD, como pelo CDS, não escapou às suas palavras:

"Fiquei pasmado quando ouvi os lideres dos partidos dizerem que era melhor adiarem as eleições, internas dos partidos, por  causa de uma ameaça do primeiro-ministro. No dia que a oposição entregar ao primeiro-ministro a definição dos seus próprios calendários e das sua próprias tarefas,.. bom, então, o melhor é concluir que não temos oposição", defendeu de forma crítica.

Em relação ao alerta deixado pelo Presidente da República, Paulo Portas considera que talvez "tenha a sua razão". Não só pelo já referida eventual "tentação" do primeiro-ministro, mas também porque "não se aproximam tempos fáceis da economia internacional" e Portugal "sofre com esses impactos". Além do mais, o país não consegue criar "riqueza suficiente para cobrir a despesa primária do Estado". Todavia, considerou que o melhor é esperar pelo desenrolar da próxima semana.

Outro dos temas, abordado foi a subida do preço dos combustíveis. E, aqui, Paulo Portas lembro que há 15 dias o Governo não quis mexer nos impostos, quando a medida foi proposta no Parlamento, mas acabou por o fazer. Aceitando, "prescindir de dois cêntimos nos 60% que o Estado tem na formação dos preços dos combustíveis".Um facto que também prova como a situação atual é "volátil", nesta matéria.

Mas não só, o comentador lembrou que "o Estado vai beneficiando, através do IVA, com o aumento do preço" dos combustíveis.

Em seguida considerou que a questão principal a ser colocada, nesta altura, é: "Quanto tempo levarão os mercados a ajustar e a ter um preço mais moderado? Essa é que é a questão".

Quanto às previsões de outono do FMI salientou que estas revelam que a Europa só começará a recuperar em 2022, ao contrário de outros países que, apesar da pandemia, já começaram a recuperação. E deu como exemplo, a China e a Turquia, cuja recuperação teve início em 2020. E, já este ano, em 2021, a Coreia do Sul, os Estados Unidos, a Indonésia e o Brasil também já estão com bons sinais.

Patrícia Pires