Paulo Portas falou este domingo, no espaço de comentário "Global" do Jornal das 8, sobre a pandemia em Portugal, considerando que a situação está mais "perigosa" e a colocar uma pressão significativa sobre o Serviço Nacional de Saúde. 

Começando por recordar que várias cidades europeias, de Madrid a Paris, voltaram a aplicar certas formas de restrição para conter os contágios de covid-19, Paulo Portas passou depois a focar-se sobre a situação portuguesa, admitindo que estamos "a chegar a um ponto que não tivemos antes de stress sobre o SNS". 

Tínhamos no início do mês de setembro 337 internados, temos hoje 843", assinalou, acrescentando que vários hospitais de Lisboa e Porto estão já saturados do ponto de vista dos internamentos. 

O crescimento desde 1 de setembro até hoje é muitíssimo preocupante", frisou, dizendo ainda que as autoridades de saúde perderam o controlo do rastreio, das cadeias de transmissão .

Assinalando que também os números europeus sobem há 77 dias seguidos, Paulo Portas acrescentou que, em Portugal, só um quarto dos infetados parece ter introduzido o código de alerta na aplicação StayAway Covid.

E analisou depois a quebra na atividade assistencial do SNS, com menos 24% de cirurgias até ao final de agosto, ou seja, "ficaram por fazer 95 mil cirurgias em todas as especialidades", e menos quase meio milhão de consultas. 

Podemos chegar a novembro numa situação em que o que não é covid colapsa", sublinhou, referindo ainda que os médicos estão exaustos e que os profissionais de saúde são "parte crítica" na gestão da pandemia e "têm de ser bem tratados". 

Noutros temas, Paulo Portas comentou ainda sobre a ligeira vantagem do democrata Joe Biden sobre Donald Trump, analisou as previsões económicas do Banco de Portugal, FMI e Banco Mundial para este e o próximo ano e falou também sobre o eventual sucessor da chanceler alemã Angela Merkel na CDU. 

/ BC