Paulo Portas fez duras criticas às declarações do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, que apelou aos portugueses para se deslocarem “de forma massiva” para Sevilha para assistir ao encontro entre a seleção nacional e a Bélgica, dos oitavos de final do Euro2020. No Global, o comentador da TVI classificou o discurso do governante como “infeliz” e “imprudente”.

Nesta pandemia, o que dá stress já não é o vírus. É o desnorte das autoridades com o vírus. O doutor Ferro Rodrigues é a segunda figura do Estado e faz parte daqueles que transmitem um exemplo ou uma orientação. Ora, é evidente que Portugal, tendo restrições de movimentação e estando em listas encarnadas como no Reino Unido e na Alemanha (…), por muito que nós gostássemos, não é possível ir maciçamente a Sevilha”, explicou.

O antigo vice-primeiro-ministro considera que o apelo de Ferro Rodrigues gera na população uma “arrelia” com a falta de exemplo, correndo o risco de dar “cabo da economia” caso o processo de desconfinamento não seja levado a sério.

Outro dos temas analisados pelo comentador foi a situação epidemiológica vivida na região de Lisboa e Vale do Tejo, que se aproxima cada vez mais do nível máximo de 500 casos por 100 mil habitantes. Paulo Portas fez questão de explicar que, a 12 de maio, dia que ficou marcado pelos festejos do título do Sporting, a região tinha apenas 82 casos por 100 mil habitantes e que, desde então, o aumento do número de casos tem sido constante.

Todos sabemos o que aconteceu a 12 de maio: celebrações que não cabiam nesse sentido de equilíbrio, por mais que o coração esperasse por elas”, sublinhou.

Portas afirmou que, no entanto, tem esperança de que o país consiga evitar ultrapassar o limite de 500 casos por 100 mil habitantes estabelecido pela União Europeia, devido à “atenuação do R(t)”. Ainda assim, o comentador apela ao contributo das pessoas e as autoridades para uma “gestão prudente” do desconfinamento.

Para além dos festejos do título do Sporting, o histórico líder do CDS-PP apontou os ajuntamentos dos jovens como uma das grandes razões por detrás do aumento significativo do número de casos na região e que, para conseguir dar a volta à atual situação, é preciso incluí-las no “esforço”.

É preciso fazê-las participar no esforço. É preciso fazer uma pedagogia muito inteligente e sistemática, porque, neste momento, as gerações abaixo dos 40 anos são aquelas que estão sob alvo dos novos contágios. Portanto, depende da sua própria prudência a capacidade de levarmos isto a bom porto e chegarmos à endemia (…)”, explicou.