Portugal "vai atingir, nas próximas 48 horas, os quatro milhões de doses inoculadas" contra a covid-19, começou por anunciar, este domingo, o comentador da TVI Paulo Portas em Global, no seu comentário semanal no Jornal das 8 à atualidade nacional e internacional.

Neste momento, foram já administradas, segundo a Direção-Geral da Saúde cerca de 3.845 milhões de doses de vacinas, sendo que mais de 1.1 milhões de portugueses já receberam a segunda dose.

Paulo Portas recordou as diferenças para janeiro, vivendo-se agora uma fase que permite chegar às 100.000 inoculações diárias, sobretudo devido à Pfizer, que, ao contrário da AstraZeneca, já ultrapassou, inclusive, o número doses entregues previstas.

Ainda sobre a vacinação, o comentador da TVI analisou a questão dos direitos intelectuais das vacinas, numa altura em que a União Europeia defende que há questões "mais urgentes", mas com alguns líderes europeus, como a chanceler Angela Merkel, a pedirem aos Estados Unidos que abram o "mercado" e permitam exportações de vacinas.

Nós devemos ao sistema de patentes e ao incentivo que ele dá à investigação o facto de termos vacinas ao fim de um ano de pandemia. Se não existisse um direito de patentes não havia um incentivo nem a investigar nem a comercializar. Mas há um problema: 80% das vacinas administradas estão no hemisfério Norte ou nas economias desenvolvidas", defendeu.

Neste campo, ainda, lembrou que "a Europa é a menos responsável pela escassez de vacinas porque é a que mais exporta""Exportou 180 milhões de doses. Os EUA não exportam, ao abrigo de leis de defesa, o Reino Unido não exporta", apontou.

Outros dos temas em análise foi a cimeira social do Porto e, mais concretamente, a discussão sobre o salário mínimo europeu, que os países nórdicos não querem aceitar.

Paulo Portas recordou quais são os melhores salários mínimos na Europa - Luxemburgo, com 2.202 euros; Irlanda, com 1.724€; Países Baixos, com 1.685€;  Bélgica, com 1.626€; e Alemanha, com 1.614€.

É muito popular na esquerda portuguesa dizer-se mal da Irlanda, mas olhem o salário mínimo. E, sim, têm competitividade fiscal e têm muita multinacional a criar postos de trabalho", observou.

Mas a diretiva sobre o salário mínimo europeu, que o primeiro-ministro português, António Costa, gostaria de ver concluída até ao final de junho, está a receber entraves de alguns países, como Dinamarca, Suécia, Áustria e Finlândia, onde não há salário mínimo mas o pagamento por hora trabalhada chega aos 46 euros, como acontece na Dinamarca, por oposição aos 16 euros que são pagos em Portugal.

São países que não têm salário mínimo e que não querem que Bruxelas os obrigue, dizendo que é uma decisão nacional. São gente que paga mal? Pelo contrario. São gente que tem o seu próprio modelo social, em que o Estado e, sobretudo, Bruxelas não substitui os sindicatos e as empresas. Estes países chegaram a estes valores de hora paga sem precisarem de ter Bruxelas a dizer o que fazer", sublinhou.

Redação / CM