Sobre o ritmo de vacinação contra a covid-19, Paulo Portas anunciou, no seu espaço de comentário "Global", que Portugal vai atingir este fim de semana os 5 milhões de doses inoculadas. 

Chegaremos este fim de semana aos 5 milhões de doses. Mas atenção, cinco milhões de doses não é com a vacinação completa, mas é um índice de carga de anticorpos relativamente importante para a sociedade portuguesa", explicou. 

De acordo com os dados recolhidos pelo comentador, a 16 de junho Portugal terá 99% da população entre os 60 anos e os mais de 80 vacinada (ou seja, os grupos etários 60/69, 70/79 e +80). Depois disso, vai ser intensificada a vacinação nos restantes grupos, que vão dos 20 aos 59 anos.

"DGS está a prolongar exageradamente a ambiguidade sobre a AstraZeneca e a Janssen"

Apesar de estarem reunidas condições para que o plano avance desta forma, existem alguns obstáculos como a segunda dose da vacina da AstraZeneca, que continua a suscitar decisões diferentes de país para país. Foi aqui que Portas aproveitou para deixar críticas à gestão feita pela Direção-Geral da Saúde (DGS) nesta matéria.

Começa a estreitar-se o caminho entre, por um lado, a task-force, que tem de ser eficiente, e por outro lado a DGS que está a prolongar, a meu ver exageradamente, a sua ambiguidade sobre a questão da AstraZeneca e também da Janssen". 

Intitulou ainda de "Síndrome do gargalo da garrafa" as discordâncias entre Gouveia e Melo e a DGS no que toca à vacinação da população mais jovem: "O vice-almirante quer começar a vacinar dos 60 para baixo, dos 50 para baixo e dos 40 para baixo. Problema: a DGS diz que não se deve dar a vacina da AstraZeneca abaixo dos 60 e não se deve dar a vacina da Janssen abaixo dos 50".

Alguém tem que ter uma conversa séria com a DGS, com responsabilidade política", alertou. 

Paulo Portas disse ainda que a DGS não assumiu o parecer da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) - que defende que quem tomou a primeira dose da vacina da AstraZeneca deve tomar a segunda -, assim como ainda não criou o "papel do consentimento" para as pessoas poderem "consentir ou pedir" a segunda dose desta vacina.

Se isto continuar assim (...) leva ao desperdício de vacinas. Ora, nós estamos numa corrida contra o tempo para ganhar imunidade, para ganhar anticorpos, defesas das pessoas, é preciso que alguém tenha esta conversa".  

"Houve um erro de gestão da pandemia grave quando se aproximou o Natal"

Mudando de assunto para as contas do país, mais especificamente do primeiro trimestre deste ano, Portas encarou o cenário como "preocupante" e disse que os números são resultado do "erro de gestão" feito na altura do Natal. 

Houve em Portugal um erro de gestão da pandemia grave quando se aproximou o Natal. Quiseram ser populares e simpáticos, compreensivelmente o Natal é uma celebração importante para muita gente em Portugal e o fim do ano, mas objetivamente não deviam ter feito o que fizeram e já é possível perceber qual foi o custo económico dessas decisões".

Por causa do fecho da economia pela segunda vez, Portugal foi o país, dos 20 que deram estimativas rápidas ao Eurostat, cujo Produto Interno Bruto (PIB) sofreu a maior queda (3,3%, 1.890 milhões de euros).

Nesse sentido, Portas alertou que é preciso "muito cuidado na gestão desta pandemia" e que o crescimento do número de novos casos esta semana não é "dramático", mas "pode ser um sinal".

Uma coisa é nós podermos desconfinar, outra coisa é as pessoas desconfinarem os cuidados, isso é que não devem fazê-lo. Se foi consequência ou não daquelas celebrações, completamente displicentes do ponto de vista das autoridades, relativamente ao campeonato de futebol, dizem os epidemiologistas que sim, pela evidência e pelo impacto que os números têm em Lisboa".

*Nota: o programa "Global" foi gravado na sexta-feira e emitido este sábado por causa do Final da Taça de Portugal, que se joga domingo, às 20:30, e que vai ser emitido na TVI.

Cláudia Évora