Um dos temas da semana tem sido a subida de novos casos de covid-19 na Europa e o facto de alguns países já estarem a ser atingidos por uma segunda vaga. No seu espaço de comentário “Global”, Paulo Portas disse que ninguém sabe qual vai ser o cenário quando a covid-19 se cruzar com as constipações e gripes do período outono/inverno.

Ninguém sabe ao certo o que é que acontecerá quando a covid-19 se cruzar com a gripes e resfriados sazonais, nem quando se agravar a identidade de circunstâncias com as quais a covid-19 conviveu no sue início, ou seja, um inverno duro”, explicou.

Chamou a atenção para o facto de a Europa ter ultrapassado esta semana, pelo menos uma vez, o número de casos nos Estados Unidos e que os países que mais contribuíram para esse número foram Espanha e França.

Denominou o caso de Portugal como “preocupante” e apontou os três pontos mais inquietantes.

Convém sermos realistas. Há nove países que estão pior do que nós na Europa, mas há 16 que estão melhor, embora cada um deva ser avaliado pelos seus respetivos critérios e opções. Há dois ou três sinais que são sérios e severos, em certo sentido. Aquele que me preocupa mais é que desde 26/27 de agosto nós estamos a subir manifestamente o número de casos ativos. Isso significa que não é uma tendência que caia de um dia para o outro. Por outro lado, o R0 está acima do que devia estar e também estamos com uma percentagem de positivos nos testes que fazemos, e fazemos muitos, que é significativa”.

Quanto às novas medidas de contingência que vão entrar em vigor na próxima terça-feira, Paulo Portas mostrou-se reticente quanto à sua efetividade, uma vez que o diploma do Governo “tem muito mais exceções do que regras”.

As minhas dúvidas são precisamente porque, por um lado, uma parte é confusa e, por outro, tenho algumas dúvidas sobre a efetividade. Portugal já podia ter, com toda a franqueza, uma lei da pandemia que permitisse enquadrar de uma forma nítida, com capacidade de gestão com alguma flexibilidade por parte das autoridades, toda esta matéria. Nós estamos a usar uma Lei de Bases da Proteção Civil que é feita para calamidades naturais, para inundações, para incêndios, para terramotos, etc”.

O comentador foi mais longe e disse que a situação de contingência só foi declarada agora por causa da Festa do Avante!.

Criticou o facto de serem pedidos testes negativos até 72 horas nos aeroportos, em determinadas nacionalidades, mas esse mesmo critério não ser aplicado nas escolas, bem como a medição de temperatura corporal ser feita em vários sítios, mas não nos estabelecimentos de ensino.

Houve ainda tempo para comentar as consequências económicas e financeiras provocadas pela pandemia de covid-19, tanto na vida das pessoas como nas empresas; o contratempo que obrigou a uma suspensão da vacina da Universidade de Oxford; o famoso e complicado Brexit; e as sondagens sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Cláudia Évora