Manuela Ferreira Leite teceu duras criticas às negociações entre o Governo e os partidos de esquerda em torno do Orçamento do Estado, considerando que tudo se trata de “um teatro” político e que, no final, o país será o grande prejudicado. 

É um teatro e nós somos os espectadores, e tomamos por realidade aquilo que às vezes é fantasia. Neste teatro, António Costa apresenta à Assembleia da República um Orçamento previamente chumbado”, sublinhou a comentadora da TVI.

Tanto o Bloco de Esquerda como o PCP já fizeram saber que não votam no documento na sua atual versão, por isso, Manuela Ferreira Leite considera que o documento nem sequer merece ser lido. 

Se eu fosse deputada nem lhe pegava. Analisar um orçamento é algo que dá muitíssimo trabalho. São muitas horas para uma coisa que não vai ser aquilo, porque se fosse aquilo não seria modificado”, afirmou.

A comentadora acredita que o Governo vai dar ao PCP o aumento de pensões a partir de janeiro e uma alteração à lei laboral. Caso não se trate de um teatro, sublinha Ferreira Leite, o primeiro-ministro será culpado de criar uma crise política.

Questionada sobre se a intervenção do Presidente da República, que abriu a porta a eleições caso o Orçamento não seja aprovado, alimenta esse “teatro”, a antiga ministra das Finanças diz que Marcelo Rebelo de Sousa se limita a pôr “os pontos nos is”.

António Costa está a pôr os interesses do partido acima dos interesses nacionais. Estar a brincar com o Orçamento para obter qualquer tipo de efeito em termos partidários é tudo o que o país não precisa. A única certeza que tenho é que o Orçamento que vai sair é pior do que este que entrou. As alterações que vão ser feitas só podem ser para o piorar”, frisou.

A comentadora atacou também o desdobramento dos escalões do IRS, considerando que a poupança real que os portugueses poderão tirar da medida é "quase ridícula". 

Se olharmos os escalões e compararmos com outros países europeus, podemos ver que a nossa classe média são os pobres. Estamos efetivamente a ficar na cauda da Europa. Todos estão a tomar medidas no sentido de crescer e de enriquecer e nós estamos a tomar medidas para ficarmos na mesma ou ficarmos pior", explicou.