O Governo apresentou, na quinta-feira, o Programa de Estabilização Económica e Social aprovado em Conselho de Ministros depois de várias horas reunidos. Trata-se de um plano que vai vigorar até ao fim do ano e enquadrará o futuro Orçamento Suplementar. Este ajustamento no cenário económico do país deveu-se à crise provocada pela pandemia de Covid-19. 

Questionada sobre qual a avaliação que fez a este plano do Governo, Manuela Ferreira Leite confessou que leu o documento com cerca de 50 páginas e que se arrependeu.

Eu estive realmente a ler o plano, tem cerca de 50 páginas, e devo dizer-lhe que me arrependi de o ter lido. Arrependi-me de o ter lido porque achei-o, verdadeiramente, um operação de natureza mediática. Portanto, não é algo em que eu possa acreditar ou que algum português, que tenha lido aquilo, possa confiar", disse no seu espaço de comentário semanal na TVI24. 

A comentadora disse que o Programa de Estabilização não passa uma listagem de medidas que abrangem os mais diversos setores de atividade e de grupos profissionais e que, na ótica da comentadora, acabam por parecer irrealistas e difíceis de cumprir em termos económicos.

Se olharmos com atenção, aquilo assemelha-se a um baú onde se foram buscar todas as medidas que temos ouvido falar há vários anos e que agora de repente vão ser todas postas em execução".

De recordar que o Governo anunciou, na quinta-feira, um reforço de profissionais nas equipas do Serviço Nacional de Saúde até ao final do ano, um investimento de 60 milhões para retirar o amianto das escolas, de uma aposta maciça na escola digital, apoios às famílias, empresas, aos trabalhadores que se encontram em lay-off, entre outras medidas. 

Apresentada a lista de cheques, e uma vez que o país não era rico antes da pandemia e depois desta menos ainda, Ferreira Leite disse que este "irrealismo" está a ser sustentado com os milhões de euros que hão-de vir da Europa. 

Se tudo isto fosse executado, eu diria que tínhamos de agradecer a Deus por termos tido uma pandemia, porque realmente o país tinhasse virado do avesso”

Manuela Ferreira Leite comentou ainda a escolha, por parte do primeiro-ministro, de António Costa e Silva para coordenar os trabalhos preparatórios do plano de relançamento da economia.

Cláudia Évora