Manuela Ferreira Leite comentou, esta quarta-feira, no seu espaço de opinião na 21ª Hora da TVI24 a greve dos motoristas de matérias perigosas, as eleições europeias e o incêndio na catedral de Notre-Dame.

Quanto à greve dos motoristas de matérias perigosas, que teve início às 00:00 de segunda-feira, José Alberto Carvalho questionou a ex-líder do PSD se há explicação que justifique o facto de o país ter sido apanhado de surpresa numa crise destas.

É realmente a pergunta que se impõe (…) É algo muito inexplicável e muito preocupante”, responde Manuela Ferreira Leite.

Disse também que todos os trabalhadores têm direito à greve mas que “este conjunto de pessoas (…) consegue provocar, se isto se alongar muito, quase que a paralisação do país”.

A ex-líder do PSD chega mesmo a comparar a greve dos motoristas de matérias perigosas com a greve dos enfermeiros, dizendo que se tratam de "sindicados que fogem da estrutura tradicional sindical", sendo que, o sindicato destes motoristas - Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) – não existe nem sequer há um ano, tem cerca de cinco meses.

Chamam-lhe até o sindicato bebé. Portanto, há um sindicato bebé que acaba de nascer e que consegue, ou que pode, paralisar um país”.

 

Sabe-se muito pouco deste sindicato da mesma forma que pouco se sabia do sindicato dos enfermeiros. Este sindicato, quem é que o está a financiar? Quem está a financiar esta greve? Estamos todos a acreditar que há centenas de trabalhadores que neste momento estão sem salário? Tudo isto é algo que nos deve preocupar”.

Manuela Ferreira Leite alerta que a criação destes sindicatos, dos quais pouco ou nada de sabe, são alarmantes porque revelam que “há muitos sinais contra as instituições” e que isto faz com que, nos dias de hoje, as pessoas digam que “devia era proibir-se as greves”, coisa que não se ouvia há quatro anos.

Para a ex-líder do PSD, a greve dos motoristas de matérias perigosas e a greve dos enfermeiros, foram movimentos que “tiveram uma repercussão completamente condenável (…) porque não têm uma consequência apenas no seu trabalho é algo que se repercute por toda a economia nacional, bem-estar, e satisfação de muitas exigências urgentes”.

Marcelo Rebelo de Sousa revelou, esta tarde, as suas preocupações com a situação na qual o país se encontra e confessou esperar mais do Governo, nomeadamente, no que toca a arranjar uma solução para este problema. Por se tratar de um conflito entre privados – ou seja, entre estes motoristas e as empresas para as quais trabalham -  isso descarta, de alguma forma, a responsabilidade de António Costa, uma vez que, as negociações pendentes são entre os sindicatos e privados.

O Governo atuou com as armas que pôde, que é através da requisição civil e através da definição de serviços mínimos. Não seria admissível que as ambulâncias ficassem paralisadas por falta de combustível, ou que os automóveis da segurança e da polícia não pudessem andar”.

Mas ainda assim a comentadora da TVI põe em causa a medida tomada pelo Governo: “Se tomou essa medida a tempo, ou se já a poderia ter tomado (…) houve aqui uma falta de avaliação do problema, de que ele se concretizaria, quais é que seriam as suas consequências imediatas”.

Manuel Ferreira Leite entende que o Governo tem muitas explicações a dar, nomeadamente, de quando é que teve conhecimento deste aviso de greve, se tomou as medidas na devida altura, ou se desvalorizou este movimento pensado que era “só mais um”.

Eleições Europeias

Dando um salto para a Europa, com as eleições europeias à porta, José Alberto Carvalho questiona: “Os europeus continentais estão preparados para votar? Sabem exactamente o que é que está em causa?”.

Manuela Ferreira Leite entende que não, mas que “é exactamente para isso que servem as campanhas eleitorais. Para esclarecer os cidadãos”.

Eu não estava era habituada a ver um primeiro-ministro envolvido nisso. E isso, devo-lhe dizer, que acho lastimável que tal tenha acontecido. Eu estou a falar do facto de o primeiro-ministro ter apelado a que o voto para as eleições europeias seja tratado como um voto de confiança no Governo”.

Manuela Ferreira Leite diz que o que António Costa deveria esclarecer aos cidadãos é o papel dos deputados europeus, o que é que Portugal pode esperar da Europa, o que é que Portugal pode contribuir para a Europa e o que devemos temer. No fundo, o que interessa para o primeiro-ministro é se os portugueses dão um voto de confiança ao Governo, ou se dão um voto de censura à oposição, diz a comentadora da TVI.

Transformar as eleições europeias “numa campanha para as eleições legislativas, é defender interesses do Partido Socialista e não defender os interesses do país. (…) Isto é reduzir a um nível muito baixo a importância das eleições europeias”.

Incêndio na catedral de Notre-Dame

Manuela Ferreira Leite considera que esta tragédia teve "uma repercussão muito mais que europeia. Teve uma repercussão muito para além da Europa". E acrescenta, "há bens imateriais que conseguem unir os povos, coisa que os bens materiais não conseguem"