O concelho de Odemira vive por estes dias uma situação complicada na gestão da pandemia de covid-19. Na origem de vários surtos estão grupos de imigrantes ilegais, um problema conhecido há vários anos, mas que se agora começa a ser falado pelas autoridades, sobretudo por causa das más condições em que estas pessoas vivem.

No seu habitual comentário na TVI24, Fernando Medina entende que este é mais um problema que ganha dimensão por causa da pandemia.

Notando a grande presença da agricultura intensiva naquele concelho, o comentador destaca que, num município com cerca de 20 mil habitantes, os imigrantes ilegais acrescem a essa população mais 10 mil pessoas.

Perante isso, vários "sinais vermelhos" acendem-se, com destaque para o elevado consumo de água, ainda que também seja positivo o facto de haver uma outra dinamização económica da zona.

No problema em questão há casos "extremos" em que existem suspeitas de tráfico humano e de escravatura. Para Fernando Medina, e mesmo que nem todos os casos sejam iguais, tudo isto se deve à aposta na agricultura intensiva.

Questionado sobre de quem é a responsabilidade, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa fala num "problema complexo", que visa o alojamento de milhares de pessoas.

Sem apontar culpas concretas, Fernando Medina entende que, acima de tudo, esta situação configura um "desequilíbrio do ponto de vista ambiental e dos serviços", referindo educação e saúde.

O ideal seria nunca ter deixado crescer esta agricultura intensiva crescer ao nível que cresceu", afirma.

Outro ponto de problema é a fiscalização, e o comentador entende que existe toda uma expansão dos requisitos, um "conjunto de matérias que ao longo do tempo se descontrolaram".

A área das estufas é extraordinariamente ampla. Há uns anos atrás esta agricultura era elogiada. Este modelo não se desenvolve nas costas de um país", lembra.