Foi no seu espaço de comentário semanal na TVI24, "Direita ao Assunto", que Maria João Avillez considerou que deveriam ser retiradas as condecorações dadas pela Presidência da República a Joe Berardo. 

Acho que seria um sinal de decência do Estado português, das nossas instituições, que não estão a viver o nosso melhor momento (...) e penso até que esse sinal vai ocorrer", considerou. 

Recorde-se que o empresário madeirense continua a ser comendador, depois de uma condecoração atribuída por Jorge Sampaio, em 2004, e é ainda detentor da Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique, recebida pelo na altura Presidente da República Ramalho Eanes, em 1985. Este tema já tinha surgido em 2019, depois da audição polémica de Joe Berardo na comissão parlamentar de inquérito

Maria João Avillez entende que tudo o que se tem vindo a saber nos últimos dias sobre os esquemas do colecionador de arte é apenas a ponta do iceberg. 

E os outros? Não foi Joe Berardo sozinho, não foi Carlos Santos Ferreira e José Sócrates, e não seria pouco este terceto, mas é impossível que numa operação com esta complexidade, dimensão e envergadura não haja muito mais gente envolvida", disse.

Na ótica da comentadora, Berardo foi um "veículo interessado e interesseiro" na captura do BCP que "convinha ao PS e ao Governo [da altura], onde ele não tinha, até aí, muito boas entradas".

É uma história indecente porque começa com a escolha de um delegado político que, com a autorização na Caixa Geral de Depósitos, teve autorização superior para emprestar a Joe Berardo todo o dinheiro do mundo, para ele capturar só e mais nada o maior banco comercial português, o BCP. E Berardo foi, de facto, o instrumento e o veículo dessa captura, obtendo, por via da compra das suas ações, que Carlos Santos Ferreira transitasse e fosse para a presidência do BCP."

Ainda assim, Maria João Avillez referiu que "há um suspiro quase audível da possibilidade de ter chegado o princípio do fim da impunidade" e entender ser "impossível" que os portugueses "não se interroguem sobre o que aconteceu no país entre 2005 e 2011". 

Cláudia Évora