Os pagadores de promessas tiveram o seu tempo. A prática foi perdendo mercado mas ainda hoje há quem ofereça os seus serviços e a troco de retribuição cumpra as promessas feitas por outros.

Mas se os pagadores de promessas tradicionais estão em extinção há outros que se afirmam nestes tempos.

Como Jesus, o Jorge. Foi pagador de promessas de Luís Filipe Vieira e passa agora pelo tormento de pagar as promessas de Bruno de Carvalho. Tarefa que cumpre com isenção e profissionalismo, ao ponto de ver hoje obscuros pecados onde ontem via a luz da salvação.

Mas Jorge Jesus é top! É um pagador de promessas dos tempos modernos. Não precisa de procurar serviço. Ele,  mais uns quantos com provas dadas, não se oferecem. São procurados pela sua qualidade. E como os velhos pagadores de promessas, são devotos às suas tarefa e cumpridores. Às vezes com algum atraso, mas são os estranhos desígnios do Senhor. Mesmo quando se trata de Jesus. O Jorge!

Por isso, os antigos e os modernos pagadores de promessas não devem ser confundidos com uma espécie que se move no mundo da política. Sem qualidade nem brio, com a falta de decoro que a coisa exige e de devoção duvidosa. Quanto à fé, prevalece a que render mais.

Prestam e oferecem serviços por antecipação. São uma espécie de cobradores do pagamento especial por conta. Como aconteceu nos últimos dias. Bastou uma pequena tormenta na "Geringonça", umas declarações de Francisco Assis e um Passos elevado à condição de pequeno líder e eles aí estão.

Uns denunciando o direito à diferença, outros perfilando-se junto à manjedoura.

Não os confundam com os velhos pagadores de promessas. Mal por mal, há aí profissões mais antigas que facilmente acolherão esta gente.

António Prata