Gabriela Gomes, epidemiologista da Universidade de Strathclyde, na Escócia, foi entrevistada por Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 desta segunda-feira. A especialista defende que a imunidade de grupo, em Portugal, chegará antes da vacina, e acredita, baseando-se nos modelos matemáticos que criou com a sua equipa, que a epidemia estará resolvida até ao final do ano. 

Na maior parte dos países da Europa, estão a aumentar os casos porque estão a aumentar os testes", sublinhou, admitindo que os prognósticos que tem são "mais otimistas" porque incluem "heterogeneidades que os modelos clássicos simplificam". 

Prevemos epidemias menores e limiares de imunidade de grupo mais fáceis de atingir", sublinhou. 

Assinalando que a imunidade de grupo varia de país para país, Gabriela Gomes diz que o seu modelo para Portugal aponta para que a imunidade de grupo seja atingida quando tiver sido infetada 10% da população. "Prevemos que possamos atingir a imunidade de grupo no outono".

A especialista sublinha ainda que a "suscetibilidade média" das pessoas ao vírus vá diminuindo ao longo do tempo, contribuindo para uma desaceleração da epidemia. Sobre uma segunda vaga, refere que há mais casos mas mais doentes assintomáticos e menos mortes. "Pode acontecer que as pessoas que foram infetadas no início da epidemia tenham sido as mais vulneráveis e as que continuam a alimentar a epidemia são as que têm menos risco de adoecer", conclui. 

No seu espaço de comentário, Miguel Sousa Tavares analisou a polémica com as declarações do primeiro-ministro em off a uma entrevista do jornal Expresso, que acabaram divulgadas nas redes sociais, falando também sobre a situação no lar de Reguengos de Monsaraz.

É evidente que aconteceu qualquer coisa muito grave no lar de Reguengos, é evidente que acontecem coisas muito graves nos lares", sublinhou, acrescentando que há responsabilidades que não foram apuradas e que "o Estado falhou". 

Se a Ordem dos Médicos investigou, se tem competência, isso não interessa. Falhou o Estado português e quem responde pelo Estado é o Governo"

Sobre a frase de António Costa, Sousa Tavares sublinha que "toda a gente, primeiro-ministro incluído, tem direito a dizer em particular coisas que não diz em público", referindo que quem divulgou as imagens, a ser jornalista, cometeu "um crime deontológico gravíssimo". 

O que fizeram com as declarações do primeiro-ministro é uma cobardia, uma canalhice", sublinhou.

Sousa Tavares comentou ainda a colocação de radares que medem a média da velocidade nas autoestradas, dizendo que não são mais do que "hipocrisia disfarçada de prevenção rodiviária". 

O lugar onde existem menos acidentes mortais é nas autoestradas, as pessoas morrem é nas estradas nacionais", sublinhou. 

Se eu ultrapassasse nas estradas naconais em todos os lugares onde está o sinal de poder ultrapassar, já tinha morrido 100 vezes", disse ainda. 

Sobre as autocaravanas que invadem os parques naturais na costa vicentina, o comentador da TVI pede maior fiscalização da GNR. 

O lugar das caravanas é nos parques de campismo. Claro que é mais barato e mais agradável parar num parque natural com vista para o mar, mas isso é de um abuso absoluto", sublinhou. 

 

Miguel Sousa Tavares comentou também o facto de não terem sido transmitidos em sinal aberto os jogos da final da Liga dos Campeões disputada em Portugal.

Considero vexatório, indigno, que a final tenha sido disputada em Portugal e que os jogos não pudessem ser vistos pelos portugueses, nem presencialmente nem na televisão", sublinhou. 

O comentador acrescenta que o Governo, que isentou de impostos a organização da competição, deveria ter pedido em troca a transmissão de todos os jogos em sinal aberto. "O negócio foi mau para Portugal", assinalou, apesar de a hotelaria ter faturado cerca de dois milhões de euros com a final da Liga dos Campeões. 

/ BC