O comentador da TVI24 Fernando Medina esteve no seu espaço habitual das segundas-feiras onde falou sobre as eleições no PSD. 

"O resultado de Rui Rio surpreendeu um pouco, relativamente àquilo que eram as conjeturas feitas, por ter ficado tão perto [da maioria absoluta]. Aquilo que vinha a ser as projeções fariam antever um cenário mais difícil para Rui Rio, num cenário que se não passasse à segunda volta, a tendência é que perderia esta eleição. Rui Rio entra para esta segunda volta com uma elevada probabilidade de sair vitorioso", considerou o comentador da TVI.

Para Fernando Medina, "face aos resultados que vimos, seria surpreendente Rui Rio não ganhar. A diferença é se ele consegue é uma diferença com significado", tendo em conta os cerca de 32 mil eleitores.

Quanto aos objetivos de cada um dos candidatos, Medina considera que "Rui Rio parte com vantagem", porque "tem sido claro em dizer que quer um partido ao centro".

"A lição mais importante, concretizando-se a vitória de Rui Rio, é outra. É que percebe-se que, possivelmente, no PSD, não há passismo sem Passos. Isto é, as sucessivas invenções, as sucessivas criações que o sector do passismo – um PSD mais liberal, mais à direita, mais radical na oposição ao PS – até agora estão-se a mostrar sem capacidade de concretização", diz Medina.

O comentador da TVI24 lembrou ainda que o outro candidato nestas eleições sociais democratas, Luís Montenegro, "foi um dos rostos do PSD de Pedro Passos Coelho e foi líder parlamentar".

"Depois de tudo isto, o 'passismo' não sobrevive sem Passos, ou pelo menos não é vitorioso. (...) Depois destas tentativas e com a vitória de Rui Rio, eu creio que há muitos olhares do passismo que vão olhar para o próprio Passos visto que foi um líder vitorioso. Passos Coelho é o último líder vitorioso que o partido tem", conclui.

"CDS tem aqui uma questão muito delicada"

Outro dos temas abordados no seu habitual espaço de comentário foram as eleições no CDS. Para Fernando Medina, há dois candidatos que se destacam e que mostram ser o oposto um do outro. 

"O CDS tem aqui uma questão muito delicada de decisão nestas decisões internas que é a própria disputa da sua sobrevivência. O CDS está hoje num nível, do ponto de vista de representação parlamentar, de cerco… à sua volta, com o Chega, o Iniciativa Liberal e sempre com a ameaça do PSD, e o CDS vai jogar aqui muito com o que é a sua capacidade de sobrevivência futura", considerou.

Dos vários candidatos do CDS, o comentador da TVI24 destacou dois - João Almeida e Francisco Rodrigues dos Santos - por acreditar que "são os que tem mais condições de disputar a liderança".

"Por um lado, o João Almeida, deputado, porta-voz da direção cessante, alguém com muita experiencia na vida parlamentar e na vida do partido, que no fundo preconiza um CDS de regresso ao seu posicionamento dentro de uma coligação de direita, um partido que consiga unir e manter as tendências conservadoras e liberais dentro do partido, mas um partido que retome o seu posicionamento mais tradicional, que aliás foi abandonado por Assunção Cristas quando tentou polarizar e tentou ela própria criar uma tensão com o PS como se fosse ela a líder natural da direita. Francisco Rodrigues dos Santos tem uma estratégia bastante diferente, relativamente ao CDS. Por isso, ele aposta… aliás o título da moção é “por uma nova direita”, mas o conteúdo da nova direita é no fundo um certo regresso ao passado de uma visão mais conservadora dos temas sociais. É um apelo às bases mais conservadoras do CDS", explicou, concluindo que não sabe qual das duas estratégias terá sucesso, mas "do ponto de vista da liderança de um partido, [a segunda] é um caminho bastante mais difícil".