Manuela Ferreira Leite afirmou esta quarta-feira que a ideia de que a crise gerada pela pandemia não será combatida com austeridade é falsa e explica que a resposta económica do país deve ter em conta que, quando surgiu a pandemia, “foi o instinto de sobrevivência quem tomou todas as decisões”.

Se o primeiro passo foi a paragem da economia em nome de uma crise sanitária, a comentadora assinala que, simultaneamente, foram tomadas medidas para que a economia não morresse - sendo o lay-off simplificado uma delas. Dessa forma, tornou-se imperativo resolver os problemas de tesouraria das pequenas e médias empresas, através dos apoios do Estado.

No entanto, “os apoios não têm sido feitos com a eficácia desejável e muitas empresas ainda não viram um cêntimo”, considera Manuela Ferreira Leite.

A comentadora lembra ainda que a agilização das medidas de proteção das empresas levou a que os bancos reparassem noutro problema: “As empresas não tinham só problemas de tesouraria, tinham também problemas de destruição de capital”. Ora, explica Ferreira Leite, isto levou a que os agentes económicos percebessem que, embora as empresas necessitem de liquidez, algumas não iriam recuperar.

Quando se faz os cálculos, chegamos à conclusão de que não há dinheiro para tudo isto”, afirma a comentadora que reitera não entender o porquê do primeiro-ministro sublinhar tão veemente que não vai haver austeridade.

 

Dado o nível fiscal que o país enfrenta, qualquer aumento de impostos é austeridade; qualquer cativação num processo de investimento é austeridade”, explica Ferreira Leite.

A polémica em torno da celebração do 25 de Abril na Assembleia da República também mereceu duras críticas da comentadora que afirmou que esta teria sido uma boa altura para se alterar o modelo de comemoração.

Relembrando a força que teve a Vigília Pascal celebrada pelo Papa Francisco sozinho na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Manuela Ferreira Leite pede para que os representantes políticos sejam eles também um exemplo de resiliência.

Se cada um de nós faz um esforço tremendo para não estarmos com os que nos são mais próximos, não se entende que os representantes da Assembleia da República não tenham tomado a decisão de ter um parlamento vazio e apenas haver o discurso do Presidente da República”, afirma, explicando que um gesto desses teria uma força muito maior.

 

Se fosse deputada, levava os meus netos e os meus filhos ao parlamento, porque era forma de os reencontrar”, afirma Manuela Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite