Manuela Ferreira Leite analisou, no seu espaço de comentário semanal na TVI24, o impacto da pandemia de Covid-19 na economia portuguesa e europeia.

Sobre as próximas etapas da pandemia em Portugal, Manuela Ferreira Leite tem a sensação que, depois de ter havido uma primeira fase "onde só falámos de saúde, o que é normal", estamos agora a entrar numa fase onde "se percebe que há um certo discurso a preparar uma transição".

Nessa preparação não se quer dar a ideia que tudo será como dantes, mas eu não acredito que vá haver no futuro uma transformação tão grande nos comportamentos a que nós estamos habituados", começa por dizer a ex-ministra.

A ex-ministra das Finanças considera que a nossa cultura tem uma componente de socialização muito intensa e, por causa disso, tivemos de tomar medidas tão drásticas relativamente ao problema que temos estado a enfrentar. 

Numa situação de uma certa abertura, ela ainda vai ser bastante custosa e dolorosa para muitas pessoas", alerta Manuela Ferreira Leite.

A comentadora defende que o primeiro passo que as autoridades querem dar tem a ver com o ensino, mas considera que há todo um conjunto de aspetos que é dado pela escola e que as próprias famílias têm exigido mais da escola.

Vejo como quase inviável o ensino à distância para crianças e jovens", considera Manuela Ferreira Leite, explicando que "na escola não se passa apenas aprendizagem de conhecimentos, na escola também se adquire formas de socialização, criação de amizades, de criação de comportamentos em sociedade".

Ainda assim, admite que "isto é uma fase transitória e é aquilo que é possível fazer", apesar de acreditar que os pais que estão em teletrabalho não têm hipótese de acompanhar os filhos.

O impacto da pandemia na economia

Para Manuela Ferreira Leite, o país só entrará na normalidade quando todas as empresas puderem trabalhar de forma mais eficaz e mais aberta.

A vida económica não está ainda preparada para, em todos os setores, poder abrir-se de uma forma muito evidente", considera Manuela Ferreira Leite.

Um exemplo disso é o turismo: a antiga ministra das Finanças admite que o turismo não vai recuperar a sua atividade como tinha "só porque se decreta que as escolas já abriram".

No caso do turismo vai haver muita dificuldade na recuperação: o turismo é um setor muito vulnerável, muito frágil e vai ter um impacto muito significativo em todos nós", diz a comentadora.

Sobre as projeções do FMI para a economia, parece-lhe algo muito evidente e "ajuda muito pouco". Manuela Ferreira Leite acredita que a resposta tem de sair de uma proposta conjunta da Europa.

Como pode o FMI dizer que a dívida vai ser de 135%? É de La Palice", constatou.

Manuela Ferreira Leite