Manuela Ferreira Leite lembrou, esta quinta-feira, no seu espaço de comentário da TVI24 que este "não é o momento" para debater o, aparentemente já chumbado, referendo da eutanásia.

Para a comentadora da TVI, "não deve haver pior momento para discutir um tema como este", tendo em conta a situação causada pela pandemia Covid19.

"É um tema emocionante e é profundamente agressivo neste momento, em que as pessoas andam assustadíssimas. Não deve haver pior momento para discutir um tema como este. É um tema emocionante. É profundamente agressivo discutir este tema neste momento em que as pessoas andam assustadíssimas".

Para Manuela Ferreira Leite, a "eutanásia é um tema que divide as pessoas", mas é um "tema referendável".

"Se não é um tema suscetível de referendo, qual será? (...) Concordo que isto devia ser um referendo. Porque é que para isto deve haver liberdade de voto para os deputados e não para os cidadãos?"

No entanto, para a antiga ministra das Finanças, este "é o ultimo momento que era aconselhável para que este tema fosse discutido".

"E quando a assembleia recusa um referendo considerando que é um desrespeito para os deputados, neste há uma falta de respeito do parlamento em relação as pessoas e não o contrário. Do ponto de vista político, não tem havido respeito pelas pessoas pelo momento que foi escolhido, é de uma agressividade e de falta de princípios morais o momento que foi escolhido".

Manuela Ferreira Leite diz ainda que esta discussão "é uma coisa de tal forma aberrante que só" pode dizer que a "revolta muito".

"Bloco quer um patetinha para aprovar o Orçamento"

 

A comentadora da TVI analisou ainda as negociações do Orçamento do Estado para 2021 dizendo que faz todo o sentido a posição do PSD, uma vez que “quase foi imposta pelo primeiro-ministro”.

“A menos que concordasse com o OE, o PSD não podia ter outra posição para ser coerente”, afirmou, acrescentando que “Rui Rio quando fez a sua exposição ao grupo parlamentar sobre o OE, quem o ouviu percebeu que ele analisou o orçamento do ponto de vista técnico, explicitou muito bem e mostrou quais eram as diferenças”.

Na análise ao Orçamento do Estado, Ferreira Leite disse ainda que este documento “já tem muitas cedências ao Bloco de Esquerda”.

Para a antiga ministra das Finanças, "não tem sentido apoiar o Orçamento do Estado para salvar o Bloco de Esquerda”.

“Como é que Rui Rio podia viabilizar um Orçamento no qual ele organiza tudo com o Bloco de Esquerda, o Bloco de Esquerda sai fora, e depois vem um patetinha aprovar o Orçamento. Tudo tem limites. É coerente que ele apoie quando está em causa o interesse nacional, não tem sentido que vá apoiar quando está em causa salvar o Bloco de Esquerda”.

Redação / AM