A semana ficou marcada pela polémica em torno do ministro da Defesa e a tentativa de exoneração do Chefe do Estado Maior da Armada, Mendes Calado. O Presidente da República não gostou e falou em “vários equívocos" por parte do Governo. O líder da oposição, Rui Rio, também já reagiu e exigiu a demissão de quem tenha posto o tema na praça pública.

Manuela Ferreira Leite confessou fazer parte “dos simples mortais que nunca entenderão” o caso, mas, do pouco que diz ter compreendido, sublinha que o Governo “sai muito mal de tudo isto”.

O Comandante Supremo das Forças Armadas todos sabemos quem é, mas não sei se o ministro [da Defesa] está consciente de quem é, ficamos na dúvida. O Presidente da República, simpaticamente, chamou-lhe equívoco, mas não há grandes equívocos. Ou é ou não é.”, afirmou.

A comentadora da TVI frisou ainda que esta polémica acaba por tirar o brilho à “promoção” do vice-almirante Gouveia e Melo, o sucessor de Mendes Calado, e destacou ainda o facto de as instituições em causa terem muito a perder e não se podem dar ao luxo de se “beliscar ou serem beliscadas” perante a opinião pública. 

Houve alguém que não respeitou o Presidente da República. Houve alguém que não respeitou as Forças Armadas. É essa conclusão que eu tiro. É muito desagradável e muito incómodo que não tenhamos o cuidado de manter incólumes e respeitáveis todas as instituições deste país”, explicou.

Outro dos casos que marcou a semana mediática foi a demissão do presidente da CP, Nuno Freitas, que levou o ministro das Infraestruturas a criticar o ministro das Finanças. Para Manuela Ferreira Leite, o episódio é “bizarro e completamente fora de qualquer racionalidade”.

O episódio é bizarro e completamente fora de qualquer racionalidade, para não dizer cómico”, disse. 

A comentadora da TVI explica que Pedro Nuno Santos recebeu o pedido de demissão do presidente da CP, disse concordar com os motivos e, ao invés de apresentar a sua demissão em solidariedade, decidiu criticar um outro membro do executivo de António Costa.

Há por ali um atestado de impotência por parte do ministro, que se acha completamente incapaz de resolver o assunto, como também uma crítica ao ministro das Finanças”, explicou.

A antiga ministra das Finanças lembrou ainda que o anterior ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes saiu por motivos “muito idênticos”, mas de forma “muito digna” e sem “qualquer espécie de barulho”. 

Este ministro não só fica, dá razão ao presidente da CP e mantém-se no cargo. Eu acho isto engraçadíssimo”, rematou. 

Além disso, fica em causa a substituição do presidente da CP, depois do ministro ter afirmado que ele era o gestor mais competente que ele já tinha conhecido, “só um gestor muito distraído é que poderia aceitar o cargo”.