No habitual espaço de comentário de Manuela Ferreira Leite, na TVI24, a comentadora fez uma análise das dimensões económicas dos impactos gerados pela pandemia de Covid-19 que irá produzir efeitos verdadeiramente transversais, como nunca foi enfrentado na história da humanidade.

Ferreira Leite considera que o grande problema das empresas, especialmente as PMEs, é a tesouraria, adiantando que um problema desta natureza irá aparecer, inevitavelmente, no fim do mês. 

Uma grande parte das empresas do tecido económico português vai ter grandes dificuldades em processar pagamentos no próximo mês. Os cafés, bares e pequenos restaurantes não aguentam este tipo de paragens porque as margens de lucro não lhes permitem ter reservas de tesouraria”, afirma a comentadora, sublinhando que "o excedente orçamental é passado. Não tem significado agora"

Manuela Ferreira Leite alerta para a necessidade de um processo de desburocratização de todo o processo relativo às medidas anunciadas e admite que é preferível o país ser alvo de fraudes a que o processo de atribuição de apoios seja mais lento.

Mais vale arriscar alguma fraude, que há sempre nestas situações, e darmos medidas para que os trabalhadores e empregadores tenham ferramentas para lidar com uma situação completamente fora do comum”, afirma Manuela Ferreira Leite, sublinhando que o ponto fundamental é que milhares de empresas não morram no decorrer de um par de meses. 

 

O tempo corre de uma forma cruel e temos um incêndio descontrolado no tecido económico”, afirma a comentadora, destacando que, ao contrário da última crise financeira, os esforços vão ser muito mais conjuntos porque “estamos todos no mesmo barco”.

Manuela Ferreira Leite diz que, para ultrapassar esta crise, a Europa tem de ter uma solução genérica, conjunta, coordenada e com apoios para todos os países.

Acho que vale a pena sacrificar e apostar na sobrevivência de um maior número possível de empresas, num momento em que é muito difícil existir a ressurreição de empresas”, afirma.

A comentadora explica ainda que, como não existe experiência nesta matéria, “não se consegue saber exatamente a dimensão que irá tomar, porque também não há instrumentos para saber como intervir para combater a crise”. 

Manuela Ferreira Leite