Manuela Ferreira Leite afirmou, nesta quarta-feira, que "só é enganado quem quer", referindo-se ao atual momento da política nacional, com pseudo-inaugurações, que, a serem verdade, vão culminar no aumento dos impostos ou da dívida.

Eu sou do tempo em que quando se entrava em campanha eleitoral entrava-se na fase das inaugurações, o que de alguma forma tinha algum sentido, porque as pessoas estavam num mandato e queriam mostrar que eram eles que tinham feitos as obras. Depois passou-se à fase do lançamento da primeira pedra, agora entrou-se numa fase diferente: não há inaugurações nem primeiras pedras, há declarações, assinaturas de acordos de entendimento para abertura de concursos que levem à assinatura de contratos, ou seja, não há nada. (...) Como se tivessem alguma hipótese de sequer lançar a primeira pedra. Estamos no pior que existe em política, que é o engano às pessoas. Mas vamos admitir a hipótese de que isto é verdade e que vamos fazer estas coisas todas: ou vão aumentar os impostos ou vai aumentar a dívida", disse a comentadora da TVI, no seu espaço semanal de comentário às quartas-feiras na 21.ª Hora da TVI24, referindo-se aos recentes anúncios de mais comboios, mais estações de metro e mais um aeroporto.

Por tudo isto, para a ex-ministra social-democrata, "o país precisa de um PSD e precisa de um PSD forte, que traga para a discussão e resolução dos problemas seriedade, honestidade e verdade para os eleitores, que estão a ser enganados, eleitores que só votam no Partido Socialista se gostam de ser enganados". Como aconteceu com a rejeição de Rui Rio relativamente à sugestão do ministro do Ensino Superior de abolição das propinas, com o PSD "a ser único partido que teve uma posição séria".

Um PSD, sublinhou, que respeita a génese da social-democracia, e com o qual se identifica, particularmente sob a liderança de Rui Rio, numa curta resposta às críticas de Luís Montenegro, que não gostou de ouvir Manuela Ferreira Leite dizer que preferia um pior resultado do partido nas eleições a uma conotação do partido com a direita.

A minha adesão ao PSD teve a ver com as ideias e não com as adesões que tinha. Estou livre para ter a minha opinião, porque não estou à espera de nada, não procuro nada, nem quero nada, mas percebo que possa haver pessoas numa posição diferente. (...) O PSD é um partido social-democrata e a social-democracia não é de direita nem liberal."

Para a comentadora da TVI, a questão do fim das propinas no Ensino Superior é, aliás, mais um exemplo de que "o Partido Socialista está a dar cabo do Estado Social, como já está a dar na Saúde"

Quando se diz que alguma coisa passa a gratuito, e acontece que o Ensino Superior custa muito dinheiro, alguém paga. Eu e penso que a maioria das pessoas, não se importa de pagar impostos para aqueles que não podem pagar as propinas dos filhos. (...) Mas não estou na disposição de pagar propinas dos filhos daqueles que são mais ricos do que eu, que é que o acontece se for gratuito para toda a gente, portanto, não pode ser gratuito para toda a gente."