«Acho que a carta foi uma carta ao lado, esta última. Porque para se defender ele [José Sócrates] tem de ter um alvo preciso: se é a Justiça, é a Justiça, se é o juíz, é o juíz, quem for, é. Não pode atacar toda a gente, não pode atacar os políticos todos, nem os professores de direito todos (…) não pode atacar a comunicação social toda. Isto primeiro cansa, depois pode perder eficácia», disse.


«Ele já parte de uma situação em que tem de inverter uma campanha: o estado de espírito das pessoas (que já têm na cabeça uma predisposição negativa) e a campanha dos adversários que é mais forte do que a dele sozinho. Se, ainda por cima, tem uma mensagem difusa na sua defesa, torna-se ineficaz», acrescentou o comentador.


«[Sócrates] ao politizar desta forma tão ampla, está obviamente a transformar-se numa sombra presente para o PS e para toda a vida política portuguesa durante o ano eleitoral que aí vem. Pode ter efeitos ou não, acho que até pode não ter efeitos no eleitorado. [As sondagens mostram] que ainda há uma diferença, o PS ainda está seis pontos acima do PSD, tem mais do que os dois partidos (PSD/CDS) somados (…), [e] de facto Costa sobrevive, neste mês horrível, e perde um ponto e tal… (…) Agora, a continuação do combate político sobre a sombra de Sócrates… ninguém sabe, é um ponto de interrogação, porque a opinião pública é imprevisível, mas neste momento é uma sombra que vai presidir ao debate político (…)», disse Rebelo de Sousa.


Os «habeas corpus» e a viagem para o Brasil

também se referiu aos pedidos de «habeas corpus» entregues para a libertação do ex-primeiro-ministro

«A “vantagem” do pedido de habeas corpus foi que nos permitiu conhecer os fundamentos da decisão do juiz Carlos Alexandre, [que] invocou o perigo de fuga e a perturbação do processo. Soube-se pela comunicação social que José Sócrates teria uma viagem marcada para o dia 24, para o Brasil. (…) Eu não faria uma ligação tão clara entre [o perigo de fuga e a viagem para o Brasil], imagine que era uma viagem marcada por um compromisso antigo: uma conferência uma palestra, um encontro… Só por si não é suficiente. É uma avaliação que só um juiz pode fazer, não se pode dizer “ele tinha marcado a viagem para o dia 24, então é óbvio que se ia pisgar para o Brasil”, só por si não é suficiente».

 «É ocasião de reconsiderar» as medidas de João Cravinho

As pessoas «podiam estar muito pior se não tivesse existido Mário Soares»

o aniversário de Mário Soares, que este domingo completou 90 anos.

O comentador da TVI, felicitou o ex-Presidente da República

«Parabéns pelos 90 anos. Podemos discordar em imensas coisas, [mas] há um facto: Mário Soares na luta que teve pela democracia, pela liberdade, antes e depois do 25 de abril, é um homem marcante. Ninguém lhe tira o lugar da história de Portugal, portanto, nesse aspeto, mesmo os que  não gostam nem um bocadinho dele, devem-lhe gratidão por aquilo que ele fez pela democracia e pela liberdade. [Mesmo] os antiliberais e antidemocratas têm de ver, que em períodos cruciais como foi o da revolução, [que foi] um estabilizador da vida política portuguesa, essas pessoas não estariam hoje como estão, [ou] poderiam estar muito pior se não tivesse existido Mário Soares», terminou Rebelo de Sousa.


IRS: «Não entendo o voto contra do PS»
Redação / EC