De Amesterdão a Lisboa são 3 horas de avião. Mas no caso do voo TP 671 foram 7 horas. A partida estava marcada para as 19h30 (hora de Amesterdão)  mas, de facto, só aconteceu às 23h. Voar na TAP tem este e outros contratempos que podem acontecer a qualquer companhia. Mas na TAP não houve compensação alguma e, pelo contrário, houve até momentos de mau serviço.

 A história desta viagem na companhia de bandeira portuguesa começa no voo anterior,  o de saída de Lisboa quando somos obrigados a fazer um check in em máquinas automáticas, forçados a etiquetar bagagens e quando temos de pagar o excesso de bagagem não temos direito a recibo com número de contribuinte. A máquina não nos dá a possibilidade de colocar o contribuinte no recibo. Há que ir à loja da TAP, só que a fila enorme faz-nos desistir perante o risco de perder o voo. Levamos então um cartão com a indicação flytap.com/fale-connosco. Falamos com a TAP através do site, que é o mesmo que dizer que não falamos. Enviamos o pedido para ter o recibo com o contribuinte, mas a resposta tarda até hoje e já lá vai quase uma semana. 

O regresso programado para 3 dias depois no aeroporto de Schiphol de Amesterdão será mais complicado e, logo no check in, em máquinas automáticas. Esta máquina não imprime o cartão de embarque, aquela já imprime mas não dá a etiqueta para a bagagem, outras nem sequer reagem ao toque. Há pois que esperar que cheguem os trabalhadores da TAP para fazer o check in em pessoa. Segue-se para a porta de embarque e passa a hora de embarque e está quase na hora do voo arrancar e não há ninguém para avisar que, afinal, a porta de embarque mudou. Alguém descobre que, afinal, o embarque passou para outra porta e seguimos todos uns atrás dos outros para outra ponta do aeroporto. 

Ali chegados, finalmente a TAP avisa que o embarque está atrasado e que deve acontecer por volta das 20h. No telemóvel, uma mensagem da TAP informa que a partida do voo TP 671 está  prevista para as 20h10. Mas são 20h20 e ainda nem sequer embarcamos. O embarque começará pouco depois. São 20h40, estamos todos dentro do avião preparados para partir. Há uma hora de atraso, nada de grave. Mas o comandante avisa que há um problema na aeronave e que chamaram a manutenção do aeroporto de Schiphol. No telemóvel soa mais uma mensagem da TAP: a partida deverá acontecer às 22h. No avião anunciam, entretanto, que a manutenção do aeroporto já chegou para pouco depois o comandante dizer que ainda estão a aguardar. A manutenção chega, problema resolvido, mas agora falta o pessoal que vai puxar o avião. Tudo feito, já são mais de duas horas dentro do avião com pedidos de desculpa e nada mais. O avião está pronto para partir são já 23h ou pouco mais. O comandante pede desculpas explicando que a pandemia reduziu o pessoal em todos os aeroportos e Schiphol não é exceção. Esqueceu-se que o avião da TAP que nos veio buscar já saiu atrasado de Lisboa e preparava-se para partir já atrasado de Amesterdão antes mesmo de ser necessária a manutenção. Agradece-se a compreensão dos passageiros - na verdade, poucos protestaram e a quem o fazia os assistentes de bordo davam sempre razão. Nada mais. Ficámos com a razão e com a barriga vazia porque no voo da TAP 671 só foi oferecido chá, café ou água. Comida, se a quiséssemos, tínhamos que a pagar. Comida de plástico que, disseram os assistentes quando perguntados, não tinham ordens para dar nem mesmo para compensar o transtorno de sair de Amesterdão às 23h e não às 19h30, como previsto, e de chegarmos a Lisboa à 1h da manhã do dia seguinte (hora de Portugal porque, na realidade, já eram 2h para quem veio dos Países Baixos ) e não às 21h30, como era expectável. Mas há mais. Para termos um recibo com número de contribuinte do que comemos e pagamos temos de enviar email porque a TAP não passa recibo com número de contribuinte da comida que vende. A responsabilidade é da empresa de catering e somos nós que temos de ter o trabalho de fazer tudo. Tudo não, porque para já não tivemos de limpar o avião nem de o pilotar. Mas aqui chegados há que perguntar se é esta a companhia de bandeira que o ministro Pedro Nuno Santos quer ter. Cheia de automatismos, com os passageiros a fazer o trabalho dos trabalhadores dispensados, que não passa recibo com número de contribuinte dos artigos/serviços que vende/presta e que nem sequer se orienta pelo padrão de hospitalidade que caracteriza Portugal, oferecendo pelo menos uma pequena “bucha” a quem, por responsabilidade da TAP, chegou a desoras e esfomeado a Lisboa.   
 
 

Maria José Garrido