Entrevistado nesta segunda-feira, na TVI24, por Miguel Sousa Tavares, o embaixador de Israel em Portugal, Raphael Gamzou, defendeu a posição do seu país relativamente ao conflito com o Hamas, considerado que a organização islâmica "usa da forma mais cínica e monstruosa a sua própria população".

Raphael Gamzou rejeitou que Israel se tenha excedido nos combates com o Hamas, que fizeram 248 mortos entre os palestinianos, entre os quais 60 crianças e 40 mulheres, e cerca de uma dezena do lado israelita.

O embaixador que ironizou pedindo desculpa por não terem "vítimas suficientes", acusou o Hamas de usar "da forma mais cínica e monstruosa a sua própria população, a sua própria população civil, como um escudo para manipular a opinião pública".

Por vezes não tem a ver com ganhar, tem a ver com defendermos os nossos próprios cidadãos. O que fariam ou esperariam que o vosso governo fizesse se um dia, Deus queira que não, um dos vossos países vizinhos fosse controlado pelo Boko Haram ou pelo Estado Islâmico, ou por uma organização do género, e eles enviassem um ultimato ao vosso governo a dizer: queremos o Alentejo e o Algarve de volta porque fazem parte de Al-Andaluz?", questionou o diplomata.

Miguel Sousa Tavares contrapôs, dizendo que o "conflito começou ao contrário".

Foram as famílias israelitas que exigiram a devolução de casas 73 anos mais tarde...", sublinhou o comentador da TVI.

Raphael Gamzou disse que "também houve árabes que reclamaram essas terras", considerando que se trata de uma "questão jurídica", manifestando, ainda, "muito orgulho na democracia israelita e no sistema judicial".

Quanto, ainda, ao conflito, o embaixador discordou que Israel tenha ido longe de mais nos motivos para o iniciar e nos meios utilizados para o combater, considerando que retratá-lo como uma luta entre David e Golias era "uma visão muito simplista da situação".

Israel irá sempre investir muito dinheiro para fazer todos os possíveis para proteger as vidas dos seus cidadãos. Infelizmente, o Hamas e a Jihad Islâmica investem muito dinheiro, uma parte do qual vem dos contribuintes europeus, muito dinheiro de ONG e de organizações internacionais, na sua máquina de guerra, no seu "metro", uma cidade subterrânea de túneis usados para combater Israel", defendeu.

Catarina Machado