Miguel Sousa Tavares começou esta segunda-feira por abordar o tema da festa do Avante! no seu habitual espaço de comentário no Jornal das 8. 

Numa abordagem em três ângulos, Sousa Tavares começa por defender que a Direção-Geral de Saúde "esteve muitíssimo mal" e parece ter reagido apenas depois de forçada pelo Presidetne da República. 

As regras aplicadas ao Avante! eram secretas e ninguém sabe porquê", frisou. "A DGS andou muito mal". 

O comentador da TVI acrescentou ainda que a realização da festa do Avante! nos moldes agora revelados deixou "o próprio partido entalado". 

Planearam para uma dimensão e afinal têm outra", explicou. 

Sob o ângulo do Governo, Sousa Tavares diz que "transparece a ideia de que o Governo usou a festa do Avante! para efeitos políticos, para chamar o PCP às negociações sobre o Orçamento". 

Já no ângulo do PCP, Miguel Sousa Tavares diz que o partido revelou "absoluta falta de senso de previsão política".

Isto vai-se virar contra o partido", sublinhou. "Vê-se pela própria população do Seixal", acrescentou, que garante fechar portas durante os dias que durar o Avante!. 

O PCP viu isto como um atentado às liberdades em vez de um caso de saúde pública. Vai-lhe custar votos, popularidade e prestígio", concluiu. 

Falando sobre a possibilidade do fecho de fronteiras com Espanha, que regista cada vez maior número de casos diários de covid-19, Sousa Tavares admite que é um "dilema que não tem nenhuma solução boa", mas refere que se os números continuarem sem controlo "o Governo vai ter de ponderar: a saúde ou a economia", assinalou. 

E apontou ainda a situação "paradoxal" vivida com Inglaterra. 

Nós é que devíamos estar a ponderar se fechamos os corredores aéreos a Inglaterra, só que disso depende a sobrevivência do turismo.  Cada semana que passa estamos a recuperar", afirmou. 

Para falar sobre o desemprego, Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares entrevistaram o jornalista e comentador da TVI Pedro Santos Guerreiro, que assinalou que as previsões do Governo já foram todas ultrapassadas, o que irá refletir-se nos números do PIB e do défice. 

A economia já tinha de estar a crescer neste momento muito expressivamente e isso não vai acontecer", referiu Pedro Santos Guerreiro, sublinhando que é o "emprego financiado", o lay-off e os apoios à estabilização, que está a atenuar "quer a estatística, quer o desemprego". 

Sobre o desemprego jovem, Santos Guerreiro sublinhou que são necessárias políticas diretas para criar emmprego entre os mais novos, já que a porta da emigração, neste momento, por causa da pandemia, está "praticamente fechada". 

Miguel Sousa Tavares diz ainda que não acredita que haja uma crise política na sequência das negociações do Orçamento do Estado para  2021, "a menos que os quatro partidos à esquerda quisessem suicidar-se". 

Assinalando que António Costa "tirou da equação o PSD" depois de Rui Rio admitir que poderia coligar-se "com outro Chega", Miguel Sousa Tavares sublinha que "nenhum português entenderia" se estes partidos não se entendessem para chegarem a um acordo sobre o Orçamento. 

Já no que diz respeito à bitola ibérica que Portugal vai manter nos próximos anos, em vez de atualizar para a bitola europeia - a distância entre carris - Miguel Sousa Tavares e Pedro Pinto entrevistaram Carlos Vasconcelos, da Medway, o maior operador ferroviário privado de transporte de mercadorias na Península Ibérica, e o empresário Henrique Neto. 

Carlos Vasconcelos garante que o problema da competitividade da ferrovia não está na bitola, e dá o exemplo da corrente elétrica, que nos comboios espanhóis é diferente da usada na restante europa. Mas Henrique Neto acusa-o de não querer liberalizar o mercado, referindo que a Medway tem o monopólio do mercado interno e não quer concorrência de outras empresas europeias. 

/ BC