Miguel Sousa Tavares considerou, esta segunda-feira, no Jornal das 8 da TVI, que a celebração do 25 de Abril na Assembleia da República é uma "provocação ao estado de emergência que vivemos", em plena pandemia de Covid-19.

Insistir em manter isto na situação em que se vive, quando temos um decreto que proíbe aglomerações de mais de 100 pessoas, e se vão juntar 130 na Assembleia, incluindo 50 convidados, para fazer o que fazem todos os anos, fica mal. Eu acho que é uma provocação ao estado de emergência que vivemos."

O editor e comentador da TVI disse ainda que esta é uma "cerimónia repetitiva, previsível, monótona e aborrecida" e o contexto que o país atravessa é uma ótima ocasião para se acabar com um ritual "rídiculo".

É uma ótima ocasião para se acabar com o ridículo ritual das comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República. É uma cerimonia repetitiva, previsível, monótona, aborrecida."

 

Outro dos temas abordados por Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 foi a compra de ventiladores à China. O comentador da TVI notou que Pequim mudou as regras alfandegárias quando Portugal já tinha comprado cerca de 500 ventiladores.

A China em janeiro andou a comprar ventiladores na Europa, ainda a Europa não suspeitava da gravidade do que se estava a passar na zona de Hubei. Depois de ter controlado as coisas em Hubei, a China começou a exportar ventiladores para a Europa e para o Ocidente, até ofereceu. (...) Subitamente, e na altura em que Portugal já tinha comprado 500 ventiladores à China, a China parou a exportação, mudou as regras alfandegárias a meio do processo."

Sousa Tavares sugeriu que o governo chinês pode estar a libertar ventiladores "à medida que se certifica que os países no futuro e atualmente não dirão ou não farão aquilo que não seja do seu interesse diplomático".

O governo chinês não fez isto sem saber que a consequência era atrasar a chegada de ventiladores no momento mais dramático, no momento de maior urgência nos países ocidentais."

 

O processo de Rui Pinto e o pedido de escusa do juiz Paulo Registo também foi assunto de análise neste jornal. Para Sousa Tavares, o problema não é o juiz ser adepto fervoroso do Benfica, mas "os termos da sua adesão clubística". 

O problema não é Paulo Registo ser adepto fervoroso do Benfica e fazer-se fotografar no Estádio da Luz com cachecol porque isso é inteiramente legítimo. Não é pelo facto de ser magistrado que deixa de ter direitos como outro qualquer adepto. O problema é os termos em que ele mostra a sua adesão clubística, quando ele acompanha posts de outros benfiquistas e onde mete likes a um benfiquista que chama 'cabrão' com todas as letras ao presidente do Conselho de Arbitragaem a propósito de uma arbitragem de um jogo de futebol ou quando chama pirata a Rui Pinto, é evidente que este juiz não dá garantias de isenção para julgar o processo 'E-toupeira' ou para julgar o processo Rui Pinto onde o próprio juiz já tomou uma posição pois considera que ele é um pirata."

 

Sousa Tavares não tem dúvidas de que "não havia nada que ele pudesse fazer a não ser o pedido de escusa" e que "o Tribunal da Relação não pode fazer outra coisa senão aceitar esse pedido de escusa".

Sofia Santana