No Dia Internacional para a Eliminação da Violência sobre as Mulheres, Miguel Sousa Tavares e Pedro Pinto entrevistaram Sónia Soares, psicóloga do Observatório de Mulheres Assassinadas da União Mulheres de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). 

Questionada se a violência contra as mulheres é uma questão social ou cultural, a psicóloga refere que se trata de "uma conjugação" de factores, e que este tipo de violência é comum nos países com "sociedades patriarcais, onde "ainda há um entendimento de que as mulheres são pertença dos seus companheiros.

A casa é o lugar mais perigoso em Portugal", sublinhou. 

Sobre a prevenção, Sónia Soares defende que é preciso começar na escola a destruir estereótipos e a ensinar a igualdade entre homens e mulheres. "Se quisermos apostar na prevenção destes crimes, temos de investir nas escolas", frisou. A psicóloga frisou ainda que a lei portuguesa é das melhores no que se refere à violência doméstica, mas que é preciso uniformizar boas práticas, assinalando que nem sempre a aplicação da lei corresponde à legislação. 

Sónia Soares abordou ainda a questão da dependencia emocional, que é a razão pela qual as mulheres muitas vezes voltam aos agressores, apesar do comportamento violento dos companheiros. 

Miguel Sousa Tavares quis ainda saber se está a ser analisada a questão da "mimetização", ou seja, se dar a notícia dos crimes de violência contra as mulheres leva a que sejam cometidos novos crimes, tendo a psicóloga explicado que "o debate faz todo o sentido" mas que a questão do mimetismo tem sido, efetivamente, analisada.

Temos de ter muito cuidado na forma como noticiamos as notícias de crimes", frisou, acrescentando que é necessário colocar ênfase nas medidas de coação e na penalização dos agressores. 

Sobre as mulheres que matam os companheiros, Sónia Soares admite que grande parte dos casos acontece em contexto de violência, em que as próprias homicidas estão sujeitas a agressões.

Deputados do PS fizeram "traição à memória de Mário Soares"

Miguel Sousa Tavares recordou que no 25 de novembro de 1975 estava na rua em reportagem como jornalista estagiário, tendo percebido que se jogava naquele dia o futuro de Portugal. "O 25 de novembro é importante porque foi necessário para restaurar o espírito do 25 de abril", disse, acrescentando que a coligação militar tentou instaurar uma ditadura de esquerda em Portugal. 

Acho indecoroso que há dias na AR o PS, herdeiro do homem que resistiu a essa ditadura, com exceção de sete deputados, se tenha abstido. É indecoroso", disse, referindo-se ao voto de saudação ao 25 de novembro no parlamento, acrescentando que o PS tem pudor em assumir o seu "passado histórico" e que protagonizou "uma traição" a Mário Soares.

Joacine Katar Moreira precisa de "cura de humildade urgente"

Sobre a polémica que envolve a deputada do Livre e o partido, por causa da abstenção de Joacine Katar Moreira na condenação às agressões à Palestina, Miguel Sousa Tavares diz que Joacine está deslumbrada com ela própria e tem falta de preparação política. 

"É mais pose do que substância", defende Sousa Tavares, acrescentando que Joacine precisa de uma "cura de humildade urgente", de outra forma terá um futuro político turbulento e limitado. 

"Niguém anda a passear com dez mil euros em notas no bolso"

Sobre a Operação Marquês, Miguel Sousa Tavares diz que o depoimento de Carlos Santos Silva vai ser determinante para corroborar a versão de José Sócrates, que alega que o amigo lhe emprestou dinheiro.

Mas assinala que o ex-primeiro-ministro parece ter-se comprometido ao dizer que tinha dinheiro que vinha de um cofre da mãe, e que sempre que viajava levava dez mil euros em notas sem quaisquer problemas.