Miguel Sousa Tavares questionou André Ventura, do Chega, sobre o comentário que o deputado fez nas redes sociais logo após o jogador Moussa Marega ter sido alvo de insultos racistas, na partida em casa do Vitória de Guimarães. Recorde-se que Ventura disse que Portugal “era um país de hipocrisia em que tudo é racismo” e que isto se devia ao “síndrome Joacine”.

Usando precisamente a expressão de Ventura, Miguel Sousa Tavares afirmou que também há “o síndrome André Ventura, que é estar sempre a desculpabilizar atitudes destas”, a “desculpabilizar agressões policiais, a desculpabilizar situações de perseguição ao emigrante pobre”.

O jornalista e editor do Jornal das 8 da TVI notou que “ainda não tinha passado uma hora sobre os acontecimentos” e Ventura “já estava a dizer que não havia racismo”.

Ainda não tinha passado uma hora sobre os acontecimentos e já estava a ler o André Ventura ‘eis o síndrome da Joacine’. Mas também há o ‘síndrome André Ventura’ que é estar sempre a desculpabilizar atitudes destas e a dar a ideia de que somos um país violento, a desculpabilizar agressões policiais, a desculpabilizar situações de perseguição ao emigrante pobre, não ao rico, que é um nicho de mercado político que tem cavalgado e cavalga sabendo que encontra público para isso.”

“Você sem ter a certeza de nada já estava a dizer que não havia racismo”, vincou Sousa Tavares.

O jornalista e editor da TVI frisou que Ventura "partiu do preconceito para a não investigação" e que, como deputado, "devia estar preocupado" com o sucedido.

Você parte do preconceito para a não investigação, você parte da ideia de que isto é um histerismo. (...) Acho que você como deputado da nação devia estar preocupado com aquilo e não sair logo a desculpabilizar”, acrescentou.

Ventura, por sua vez, começou por dizer que não há racismo estrutural em Portugal, considerando que “os portugueses são tolerantes”, e que agora, “em todos os episódios falamos de racismo estrutural na sociedade portuguesa”.

Nós não temos um problema de racismo estrutural em Portugal. (…) Estamos envolvidos numa névoa de racismo, os portugueses são tolerantes."

Mas sobre o caso concreto que se verificou no Estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães, questionado se houve ou não racismo, o deputado do Chega disse que "não viu as imagens", limitando-se a afirmar que "há uma investigação a decorrer". 

Ventura acrescentou que respeita a atitude de Marega, mas que não respeita a atitude dos políticos, considerando que houve aproveitamento político da situação.

Respeito a atitude de Marega, não respeito a atitude de políticos.”