No seu habitual espaço de comentário, Manuela Ferreira Leite afirmou que a declaração do novo ministro das Finanças em relação ao não aumento de impostos e a não existência de cortes nas prestações sociais foi uma declaração política de mau tom.

João Leão “introduziu novos aspetos políticos e a última coisa que se podia esperar era que ele dissesse o que o Orçamento não tinha”, afirmou a comentadora, sublinhou o “mau tom” do ministro quando aludiu à inexistência de Orçamentos Retificativos durante o mandato de Centeno.

O Orçamento Retificativo é um instrumento de gestão que não é criticável e que traduz uma necessidade de transparência para com a Assembleia da República”, explicou, avançando que não houve retificações na era Centeno, “mas mais valia que tivesse havido. Era melhor do que chegarmos ao final do ano e percebermos que o Orçamento não foi cumprido na íntegra”.

Por outro lado, Ferreira Leite apontou que “a alusão de que este Orçamento Suplementar não introduz um aumento de impostos ou cortes é algo absurdo” porque, em tempos de pandemia, esta seria uma medida que ninguém poderia estar à espera.

Aquilo que o ministro quis foi comparar as medidas tomadas agora face às medidas tomadas durante o tempo da troika. As duas crises não têm comparação, é lastimável”, afirmou a comentadora.

Manuela Ferreira Leite defendeu que, se o objetivo era tranquilizar os portugueses, a missão não foi cumprida. “Nesta crise com a Europa empenhada em resolver os problemas financeiros, se ainda por cima lhe atravessou no espírito que seria possível um aumento de impostos ou cortes na prestações sociais quer dizer que a situação é bem pior do que aquela que imaginámos”.

Aquilo que se esperava do ministro é que fosse claro com os objetivos e as medidas que iria tomar, em vez disso, focou-se naquilo que não ia fazer. Foi inútil”.

Outro tema que mereceu destaque por parte de Manuela Ferreira Leite foi o timing da discussão da lei da eutanásia na generalidade.

Sobre isto, a comentadora diz que não consegue imaginar um pior momento para uma discussão sobre um tema “sério e que divide a sociedade portuguesa”.

Num momento em que tentamos estar todos unidos na luta contra a pandemia, introduzir-se à pressa um elemento de desunião é completamente inesperado e desumano”, afirma.

É o momento mais inoportuno para discutir este assunto

Ferreira Leite afirma que existe “uma falta de sensibilidade política tremenda”, especialmente numa altura em que Portugal está em regime de calamidade, na luta pela defesa das pessoas mais vulneráveis.

Manuela Ferreira Leite