Os custos de uma nacionalização da TAP não deverão ficar nem por 1,2 mil milhões, nem por um só ano, diz Pedro Santos Guerreiro.

Estado e privados estão na fase final de negociação como condutores de automóveis em direção ao precipício", acrescenta.

Em análise esta noite na TVI24, o jornalista explica que os impactos da decisão afetarão não apenas acionistas, mas também credores e trabalhadores.

O jornalista defende transparência nas contas feitas pelo Estado não apenas para 2020, mas também para os vários anos que se seguem, depois de uma reestruturação que será não apenas operacional, mas também financeira: o que em tese pode passar por soluções como por uma “operação harmónio” (redução de capital para limpar prejuízos, seguida de aumento de capital).

Depois da reestruturação, será preciso um plano estratégico e uma mudança de administração que o aplique, mas o próprio futuro será condicionado pelas rotas comerciais que a TAP entretanto perca, sendo os mercados brasileiro e norte-americano tão importantes para a TAP, como apetecíveis para os seus concorrentes. 

Já uma insolvência desordenada, que muita gente defende, distribuiria os prejuízos de outra forma (acionistas, credores, trabalhadores, fornecedores) e evitaria novas injeções do Estado. Mas poria em causa o “hub” de Lisboa, comprometendo a importância que o turismo tem para o país.

Mesmo o cenário de insolvência da TAP com criação de uma “nova TAP” em simultâneo, significa ativar uma série de contratos comerciais e financeiros que nunca é imediata, conclui Pedro Santos Guerreiro, que espera que o Governo tenha feito as contas para todos os cenários e as divulgue.