Sem querer questionar a legalidade da operação de venda de milhares de imóveis do Novo Banco a um preço inferior à sua avaliação, a um fundo sediado nas Ilhas Caimão, Manuela Ferreira Leite prefere considerar que “é uma opção de gestão que levanta dúvidas”.

A comentadora da TVI, admitiu esta quarta-feira, que “à primeira vista” o negócio parece ter feito a instituição bancária “perder dinheiro”, todavia, os imóveis podem ter sido “vendidos em bloco“ e, por isso, “terem desconto”.

Considerando que “os contribuintes estão a entrar com dinheiro”, mesmo que de forma indireta através dos impostos, e que o “dinheiro que sai dos nossos bolsos”, Manuela Ferreira Leite não tem dúvidas que a situação deve ser esclarecida e que, em última análise, a opção de venda até pode ser “uma opção no mínimo bizarra”.

"Uma coisa é certa, esta opção de gestão levanta duvidas e não podem as pessoas ficar indiferentes a essas opções".

Não entende, todavia, a carta que o primeiro-ministro António Costa escreveu ao Ministério Público, “nem o que ele está a pedir” nessa carta. E deixa uma pergunta, lembrando que este é um negócio de 2017: 

“Havendo tantas auditorias, uma verdadeiramente recente, ninguém deu por esta operação? É porque ela não é de agora. Será que faz parte do contrato?”

Se esta venda fizesse parte do contrato, para a comentadora é estranho que nunca ninguém tivesse dado conta dela.

Em relação ao fim dos debates com o primeiro-ministro na Assembleia da República, Manuela Ferreira Leite não tem dúvidas que não se trata “de um sinal de desrespeito” ou sequer “que a democracia está em perigo”.

Não só porque, a comentadora considera que nestes debates, os primeiros-ministros “vencem” sempre as batalhas com os deputados, como também porque a democracia “nunca estará em perigo enquanto houver um Parlamento aberto e deputados que podem, a qualquer momento, pedir debates de urgência”.

Por outro lado, Manuela Ferreira Leite, defende que “os pequenos partidos deviam ter mais tempo” para intervirem e colocarem questões ao primeiro-ministro e não “apenas dois minutos”.

“Concorde-se ou não com as ideias, isso é que devia preocupar os deputados, as pessoas, a Assembleia”, conclui.

Patrícia Pires