O líder do Partido Social Democrata, Rui Rio, teceu duras críticas ao Orçamento do Estado para 2021, que vai a votação no Parlamento, na próxima semana, chegando mesmo a afirmar que o documento é pior para o país do que uma gestão em duodécimos.

A antiga líder dos sociais-democratas afirmou estar de acordo com essa visão, salientando que vê com “preocupação” o facto de este ser o Orçamento do Estado com maior influência do Partido Comunista.

Eu não me lembro de ter havido um Orçamento do Estado com tanta influência do Partido Comunista como este. Neste momento, quase não há igualdade na negociação. Ou o PS aceita a visão do PCP ou o Orçamento não passaria”, rematou.

No entanto, a comentadora considera que o primeiro-ministro tinha um “esquema” para lidar com as exigências do PCP, que o permitia dizer que “sim a tudo”, baseado na vinda dos fundos europeus. No entanto, o veto da Hungria, Polónia e Eslováquia veio pôr em causa o plano de António Costa.

A comentadora da TVI apontou ainda o dedo ao PS, que considerou historicamente incapaz de governar o país numa crise.

Os governos socialistas nunca governaram no país com uma situação de crise. Guterres foi embora, Sócrates foi embora. Não é capaz de encontrar uma situação em que o PS gerisse uma crise. PS só sabe governar a dar e a prometer”, criticou.

A antiga ministra das Finanças apelidou de “interessantes” as medidas propostas pelo governador do Banco de Portugal acerca do investimento, que fala sobre a possibilidade de captar novo investimento por via dos privados, algo que acredita não ser possível com o Partido Comunista.

O que é preciso fazer é tudo aquilo que o PCP nunca fará. Ou o Orçamento responde às condições do Partido Comunista e é a desgraça do futuro do país, ou não responde e chumba. Se responder às reivindicações do PCP, é uma desgraça”, apontou.

A comentadora considerou que os apoios à economia devem ser temporários e “muito dirigidos às franjas” que estão em particulares necessidades, uma vez que o elevado nível de endividamento nacional poderá levar o país ao incumprimento da dívida.

Rui Rio e o “potencial casamento” com o Chega

Na entrevista que deu à TVI, na quarta-feira, Rui Rio abordou a fundo a questão do acordo entre o PSD e o Chega. Manuela Ferreira Leite considerou excessivo o tempo que se deu ao assunto no decorrer da entrevista.

“O acordo entre o PSD e o Chega, nos Açores, não me tira o sono. O Chega é um partido populista, creio que não há duas opiniões sobre o assunto. O próprio líder do partido acredita nisso. Como é que é possível algum dia haver um casamento entre esse partido e alguém que é o melhor exemplo do anti populismo, que é Rui Rio?”, questionou.

Sobre um possível acordo a nível nacional, apoiado pelo Chega, Manuela Ferreira Leite considerou que o líder tem a obrigação de aceitar o apoio do Chega se estiverem em causa medidas apoiadas por ambos, caso contrário, considera que rejeitar esse apoio seria desrespeitar a população que confiou o seu voto no Chega.