Com o Natal a aproximar-se e com o anúncio do alívio das restrições por parte do Governo para a quadra, Paulo Portas considerou, no seu habitual espaço de comentário no Jornal das 8, que o primeiro-ministro, António Costa, poderá ter sido pouco cauteloso na hora de aplicar medidas para as festividades.

O comentador da TVI afirmou que as medidas anunciadas para o Natal são representativas de um raciocínio político e não técnico.

Vamos ter um mês de dezembro com quatro feriados, quatro pontes, quatro tolerâncias de ponto. E isso significa menos testes, que significam menos contágios e os números estarão mais bonitos. Em janeiro já teremos a vacina e depois logo se vê”, explicou.

Portas considerou que o primeiro-ministro aplicou medidas que “as pessoas querem ouvir”, mas podem acabar por colocar as pessoas em risco, como é o caso da livre circulação em zonas de risco, no período natalício.

Quase todos os países na Europa têm apontado um número como referência ao número limite de pessoas que devem estar juntas durante o período de Natal. Paulo Portas afirmou-se contra o facto de o Estado intervir na vida das pessoas, mas ainda assim sublinha que “vivemos num período de emergência” e que os cidadãos precisam de informação de referência para poderem tomar decisões.

O comentador da TVI lançou ainda o apelo aos portugueses para “repartirem” os jantares de Natal e de fim do ano e juntarem o mínimo de pessoas possíveis, sublinhando que está na hora dos portugueses “serem mais responsáveis do que as suas autoridades de saúde”.

Se olharmos para os números desde que há estado de emergência, temos finalmente números que apresentam uma quebra de contágios”, frisou.

O comentador sublinha, no entanto, que o número de fatalidades por 100 mil habitantes mantém-se muito elevado, comparativamente aos países mais próximos, mantendo-se ainda “nos dois dígitos”.

Paulo Portas apontou para o indicador de contágios utilizado na União Europeia, que aponta que Portugal ainda se mantém consideravelmente acima da média, apesar da tendência descendente e de ser um dos países europeus com o maior esforço de testagem.

Portugal tem um bom nível de testagem, mas, esta semana, pela primeira vez, esse nível caiu. Todos nos tornámos estatísticos por força das circunstâncias. Todos nós sabemos que aos fins de semana os números são mais baixos, fruto da menor atividade laboratorial”, explicou.

Um bom exemplo dessa situação são os mais recentes números da pandemia de covid-19 publicados pela Direção-Geral de Saúde, que apontam para uma subida progressiva dos números, nos últimos três dias.

Houve ainda espaço para falar sobre as três principais vacinas e as mega operações logísticas que estão a ser montadas para conseguir fazer com que as vacinas cheguem ao maior número de pessoas no menor espaço de tempo possível.

Não vale a pena criar discursos fictícios. Nós já estamos num cenário extraordinário em que, ao final de 200 e poucos dias, conseguimos projetos de vacina que são elegíveis”, sublinhou.