O comentador da TVI, Paulo Portas, analisou este domingo, no espaço “Global”, no Jornal das 8 da TVI, a evolução da pandemia de Covid-19 em Portugal e em Espanha. Paulo Portas abordou ainda as eleições nos Estados Unidos da América, numa altura em que o presidente Donald Trump propôs o adiamento do ato eleitoral.

Ao fim de nove semanas, Portugal demonstrou uma melhoria do número de novos casos. Paulo Portas sublinhou que o país está em tendência decrescente, ao contrário do resto da Europa. No entanto, relembra que não nos devemos esquecer dos erros cometidos na fase de desconfinamento.

Estamos a conseguir sair das cores mais negativas do mapa europeu, felizmente. Estamos em tendência decrescente. Somos bastante responsáveis pelos erros que cometemos durante o desconfinamento e convém não os repetir se houve segunda vaga”, frisou o comentador.

Apesar das aparentes boas notícias, Portas considerou que se avizinha um mês de “absoluta obscuridade”.

O Primeiro-Ministro não vai ao Parlamento. Acabaram as reuniões do Infarmed. Os documentos dos epidemiologistas não são distribuídos aos deputados. O site das listas de espera não é atualizado desde março”, afirmou. “Isto não é próprio de uma Democracia civilizada.”

VEJA TAMBÉM:

 

Para o comentador, é necessário que o Governo responda a uma série de questões fundamentais para o funcionamento da sociedade, que verá, já em setembro, um grande aumento do número de pessoas circular na rua, com o regresso às aulas e o trabalho presencial.

Qual é a política oficial sobre máscaras para esta nova temporada?”, questionou. “Eu acho que elas devem ser obrigatórias, para proteger os outros.”

Em Espanha a situação epidemiológica tem vindo a agravar-se. Espanha é o terceiro país do mundo com mais óbitos, apesar de “não ter 200 milhões de habitantes”. Para Paulo Portas, a situação só pode ser classificada como “trágica” e inimaginável.

O comentador da TVI foi bastante crítico da resposta do Governo de coligação do país vizinho, que acusou de fazer ideologia, em plena pandemia.

Fazem ideologia a toda a hora, ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar e mandam as pessoas para manifestações em pleno alerta mundial”, explicou. “Independemente das convicções ideológicas ou partidárias das pessoas, os factos são o que são. Isto é resultado da incompetência da gestão.”

A lidar com os números mais elevados da pandemia, os Estados Unidos entram agora na reta final das eleições. Donald Trump deverá ir a votos contra o democrata Joe Biden, antigo vice-presidente de Barack Obama.

O presidente norte-americano sugeriu, durante a semana, que as eleições fossem adiadas.

VEJA TAMBÉM:

“Não me lembro de nenhuma pessoa que espera ganhar as eleições que proponha adiar as eleições”, salientou o comentador.

A vantagem de Biden sobre Donald Trump não é grande, no entanto, Paulo Portas acredita que o democrata está a gerir a campanha da forma mais acertada ao não interferir nos erros cometidos pelo presidente.

Há um princípio sobre eleições americanas que é ‘queres ganhar uma eleição, deixa o teu adversário perdê-la’”, disse Portas. “Tem feito uma campanha relativamente centrista para não perder eleitores do centro.”

O comentador sublinhou ainda a tentativa de apelo ao voto dos jovens com as promessas eleitorais do regresso ao acordo do Paris e da descarbonização. No entanto, refere ainda a vontade do democrata em manter a pressão à China, mas através da rede de aliados na Europa e na Ásia.