Rui Moreira, naquele que foi o seu último comentário na TVI antes das próximas eleições autárquicas, disse que o Caso Selminho “não é um fator inibidor” à sua recandidatura e sublinhou a sua confiança no desfecho em tribunal.

O assunto preocupa e incomoda o meu bom nome e o bom nome da minha família, mas tenho a consciência completamente tranquila e não é um fator inibidor à recandidatura. Quando chegar a tribunal, terei oportunidade de demonstrar que nada fiz de mal”, afirmou, destacando a sua estranheza por o assunto ter sido “desarquivado” em ano de eleições.


Questionado sobre a possibilidade da perda de mandato, o presidente da Câmara Municipal do Porto estabelece uma correlação entre a justiça e a saúde: “Há muitas formas de se perder um mandato (...) é uma questão que os eleitores vão avaliar. Sabem que sou transplantado e que já tive uma doença grave, são questões que pesam sobre todos nós, o destino pesa sobre todos nós”, argumentou.

Sobre os rivais à autarquia, Moreira assume que seria capaz de formar governo com os candidatos do PS e do PSD, destacando que, se tal acontecer “encontraremos soluções para aquilo que é melhor para a cidade”.

Rui Moreira esteve ainda envolvido em uma polémica após uma funcionária ter partilhado num site autárquico a sua apresentação da recandidatura. Sobre este assunto, o autarca diz estar em curso um processo de averiguação, mas reitera que não irá demitir a funcionária em questão.

A senhora pediu desculpa, dizendo que tinha acesso à página da Feira do Livro( site da autarquia) e inadvertidamente colocou a mensagem na página pública. Vai ser objeto de um inquérito disciplinar e a senhora não pode aceder mais a um site da Câmara”, disse, reiterando que “são coisas que acontecem”.

Rui Moreira também se pronunciou sobre a polémica do envio de dados pela CM de Lisboa de manifestantes anti-Putin à embaixada da Rússia em Portugal, sublinhando que Fernando Medina não agiu com intuito de prejudicar os visados e, como tal, não deveria pedir a demissão.

Medina é uma pessoa à prova de qualquer suspeita, ninguém pode dizer que Medina seria capaz de ser delator. Houve erros que foram cometidos e vai perceber-se o porquê de esta informação ter sido passada”, disse o comentador da TVI, explicando que um presidente da Câmara não consegue a todo o momento perceber tudo o que se passa. 

Rui Moreira diz ainda estar convicto de que, quer António Costa, quer Medina, nunca iriam agir contra manifestantes intencionalmente e destaca que o próprio funcionário que terá cometido o erro acharia “que estava a fazer o mais correto”. “O país não pode ser transformado num país de chicotadas repentinas. Esse é o discurso do Bloco de Esquerda e de alguns extremistas”, rematou.

/ HCL