Numa altura em que grande parte do continente europeu está a braços com a quinta vaga pandémica, Paulo Portas alerta que um novo estado de emergência em Portugal seria "uma péssima notícia para a sociedade e para a economia portuguesa”, sobretudo a menos de um mês do Natal.

O comentador da TVI considera que este risco nacional existe apenas porque "dormimos na forma em relação à terceira dose". Lembrando, que apesar de a Assembleia da República já ter sido dissolvida, a Constituição da República Portuguesa prevê que uma comissão independente possa aprovar o estado de emergência apesar das circunstâncias.

Uma coisa é uma pandemia em que o vírus controla a nossa vida, outra coisa é uma endemia em que nós conseguimos controlar o vírus. Neste momento, na Europa, o que há é uma pandemia de não vacinados. No caso português, nós estamos melhor do que outros países europeus, porque tivemos uma alta taxa de vacinação na primeira e segunda dose. Mas, o risco está a crescer, porque nós ‘dormirmos na forma’ em relação à terceira dose", considerou, esta noite, no seu espaço de comentário semanal no Jornal das 8.

Paulo Portas lembra que até as vacinas mais eficazes contra a covid-19, Pfizer e Moderna, "a partir dos quatro/cinco meses começam a descer na proteção face ao risco de contágio”. Após o quinto mês da toma da segunda dose, os níveis de eficácia já são inferiores a 50%, mínimo exigido pela Agência Europeia do Medicamento no momento de aprovar qualquer vacina.

No entanto, “relativamente ao internamento, essa é a parte muito boa, ou seja, as vacinas mantêm uma efetividade muito significativa mesmo ao fim de cinco meses”, sublinha.

De acordo com Paulo Portas, existem neste momento 8,8 milhões de portugueses com a primeira toma da vacina, 7,2 que já receberam duas inoculações e apenas 750 mil que já tomaram a terceira dose. Portugal deveria estar a realizar 40 mil inoculações diárias, algo que não se está a verificar, apontou.

Para o comentador, a administração da terceira dose da vacina está a "correr bastante pior do que poderia ter corrido”. Portas acusa as autoridades de saúde de terem adormecido quando optaram por "reduzir a task force de 50 pessoas para apenas oito”. Alerta, também, que a "DGS não prevê, até ao fim do ano, nenhuma vacinação abaixo dos 65 anos”, apesar de existir stock suficiente de vacinas para dar início ao processo.

Tanto quanto sei nós temos 3,7 milhões de vacinas para poder dar na terceira dose. É um problema de vontade, lucidez, prudência e organização. (...) Portugal podia e devia estar melhor do que estamos”, diz Paulo Portas.

Nuno Mandeiro