Passaram dez anos da queda do Lehman Brothers, que levou à crise mundial e Paulo Portas recordou o tema no seu comentário "Global", domingo, no "Jornal das 8", na TVI. Sem certezas sobre a eventualidade de o mundo poder enfrentar nova crise já que "os economistas se dividem sobre se vai haver outra crise ou não", mas também em relação "à sua natureza", Paulo Portas encontrou pontos comuns entre o momento que se vivia há dez e o aquele que se vive agora. "O nível da dívida global", que é maior agora do que então, e o "desconhecimento" que permanece sobre a situação real das entidades responsáveis.

Assumiu mesmo que "o assusta" o facto de "muita gente que não confia nos bancos ou não confia nos bancos centrais", preferir confiar em coisas aparentemente auto reguláveis", como por exemplo, "as bitcoin".

Em relação à forma como a crise foi ultrapassada, o comentador não tem dúvidas que os Estados Unidos foram mais rápidos e mais eficazes.

"A América é muito censurável em muitas coisas, mas há um ponto em que funciona melhor que a Europa: na justiça", defendeu e lembrou as multas aplicadas do outro lado do Atlântico, considerando que, de facto,  "a efetivação da justiça é muito mais rápida e muito mais dolorosa."

O segundo tem foram as sanções aplicadas à Hungria pela União Europeia e sobre as quais, Paulo Portas revela alguma desconfiança:

"Tenho muitas duvidas quanto ao momento escolhido, quanto ao sucesso da iniciativa, quanto a uma parte da substância e quanto ao contexto". No entanto, considera "que o governo da Hungria precisa de um aviso." 

Mais do que determinar sanções, Paulo Portas defende que UE devia levá-la à justiça. Até porque, a "Hungria não foi o único país a não ter recebido nenhum refugiado".

A Espanha voltou a ser outro dos temas em análise e situação do país revela "sinais de deterioração", com a persistência da "Catalunha" em ganhar a sua independência e a economia a "mostrar menor crescimento, tal como a queda das exportações e do turismo".

Na verdade, Paulo Portas considerou mesmo Pedro Sánchez, líder do governo espanhol, "é, por ventura, um dos políticos que na Europa mais governa para os 'likes'". "Já tínhamos quem governava para as sondagens agora passamos a ter quem governa para os 'likes', afirmou. "Assombroso" foi também "a proliferação de licenciaturas, ou mestrados, ou doutoramentos falsos ou duvidosos", segundo o comentador da TVI.

Quanto à decisão de desenterrar o corpo de Franco, Paulo Portas alertou que "por motivos puramente táticos é muito perigoso".

Por fim, o comentador falou sobre o relatório do FMI sobre Portugal. "O que o FMI vem dizer é que Portugal, como outros países, devem fazer um ajustamento maior, em 2018 e 2019, porque se calhar em 2020 vem uma crise global". O que para Paulo Portas, "não deixa de ser interessante que o FMI ande a falar de uma crise global com muita frequência".