No Global desta semana, Paulo Portas foi desde a primeira grande polémica no partido Livre ao disco póstumo de Leonard Cohen. 

Mas no seu espaço de assinatura no Jornal da 8 da TVI, começou pela bondade das redes sociais. 5,4 mil milhões de perfis falsos no Facebook. Um número que corresponde às anulações feitas pela rede social e que incluía apropriações e discursos de ódio e apelos à violência.

Portas referiu as redes como um "fenómeno extraordinário" que, possivelmente, nunca teriam nascido “se tivesse havido muita regulação.” Mas para o comentador é particularmente preocupante o número de apelo ao ódio que está a subir “enormemente.”

Em Itália, o Presidente da República nomeou uma senadora vitalícia, com mais 80 anos, que foi das últimas italianas que sobreviveu a Auschwitz e surgiu logo nas redes sociais uma campanha “maciça e odiosa” de anti-semitismo, “a níveis que não julgamos possíveis.” Para o comentador, o debate que se seguiu no país “é muito interessante”. Não descora a importância das redes sociais, mas está a corroer os “fundamentos das democracias, sobretudo a partir das falsificações e discursos de ódio.”

Sugere-se que quem abre uma conta, tenha de apresentar a sua real identidade. “Em ditadura, posso perceber que se proteja o anonimato, em democracia não faz sentido”, disse.

“Impeach é uma espécie e reality show”

Paulo Portas voltou ainda à guerra política nos Estados Unidos, com os democratas a usarem o impeach não para derrubarem o Presidente Trump, mas para o desgastarem. Isto desgasta Trump, mas também Joe Biden.”

Recordar que Trump é acusado de ter pressionado a Ucrânia a investigar seu rival político Joe Biden, principal pré-candidato democrata na corrida para as eleições de 2020, em troca de apoio militar ao país. O presidente nega, no entanto, as acusações, afirmando se tratar de uma "caça às bruxas".

Para o consultor, Trump já não terá tempo de dominar o que é ser presidente, a função que tem. “É evidente que um chefe de Estado não pede a outro para abrir uma investigação sobre um adversário político seu (…) e isto aumenta o receio que outros possam ter quando falam com ele [Trump].”

Uma situação que no entender de Porta vai acabar por ser transferida para o senado pelos republicanos, que chamarão Biden e o filho, o que desgastará os democratas.

“Manifesto económico de Corbyn se fosse aprovado matava a economia do Reino Unido”

Em relação ao Reino Unido, "as coisas tornaram-se mais claras esta semana", referiu, acrescentado que "as sondagens se enganaram nas últimas duas eleições no Reino Unido, além de se enganarem no Brexit."

Portas disse que a diferença entre os dois principais candidatos alargou e justificou: “a posição de Corbyn sobre o Brexit é inexplicável. Toda a gente suspeita que ele votou Brexit. Ele não pode dizer e diz que vai convocar um segundo referendo, mas que não dá a sua opinião (…) em política é melhor ter uma posição e um acordo, que é que tem Boris Johnson.”

O segundo aspeto que aumentou a diferença entre os candidatos foi o manifesto económico de Corbyn. “É uma espécie de marxista dos anos 70. Voltou em força. Apresentou um manifesto económico que, se fosse aprovado, matava a economia do Reino Unido.”

E o comentador deu um exemplo: “ele põe a receita fiscal ao serviço da dívida pública e, por tanto, deixa de haver qualquer racionalidade nos impostos (...) As empresas vão fugir todas para a Irlanda (...) isto assusta os britânicos e a parte da perda de força de Corbyn, esta semana, tem a ver também com isso.”

“O partido chama-se Livre e começa a atividade com uma purga”

A primeira crise no Livre também não escapou ao comentário. "No nosso sistema eleitoral, em que os deputados são eleitos por lista partidária, é normal que haja disciplina de voto quando há questões de governabilidade. Nos votos de condenação a tradição é de muito maior liberalidade."

Sobre a substância acrescentou: “havia uma boa razão para ter esta divergência. Eu sou a favor dos dois estados. Israel e Palestina, lado a lado, e em segurança. O voto fazia visão unilateral do assunto." Moral da história, concluiu: "os extremos, tanto à esquerda como à direita têm uma atitude de seita, A sua função não é compreender a sociedade nem melhorar o mundo. A sua função é à força querer que a sociedade seja como eles são e que o mundo seja como eles são. Nenhuma tolerância para quem seja diferente e isso torne-se evidente neste primeiro caso que não será o último."

Na semana em que foi nomeado membro do Conselho de Curadores da Fundação Champalimuad, o que me “deixa honrado”, Portas falou ainda do crescimento da Ásia e de Leonard Cohen “uma memória felicíssima de muitas gerações” que tem um disco póstumo

/ ALM