Numa semana de crise política o espaço “Global”, assinado por Paulo Porta, começou com esta análise.

Porta diz que “as pessoas querem estabilidade e sossego, sobretudo sabendo que têm eleições em outubro.”

Para comentar o tema há quatro reflexões a fazer: política, legislativa, social e global/ nacional. No que toca à primeira refere que “esta era a crise política que António Costa desejaria ter (…), mas se temos um combate convém não escolher o combate no terreno mais favorável ao adversário.”

Se é verdade que Costa não escolheu o terreno, mas aproveitou uma circunstância, também é verdade que o CDS-PP e o PSD ao “recuarem” reduziram a tensão numa “crise” de que o país não precisava.

Em relação à segunda reflexão, o responsável frisa que as pessoas não têm que saber como se faz uma lei e que o primeiro-ministro jogou com isso.

O comentador falou ainda do esforço feito por Portugal para equilibrar as contas públicas, que não pode ser deitado fora. A margem existente – apesar da dívida – tem que se usada de uma forma pensada. “Há muitas prioridades no país”, acrescenta, referindo que depois da declaração de Costa, a dizer que se demitia caso o diploma fosse aprovado, “devem ter saído de Portugal dezenas de telefonemas diplomáticos”, por este tipo de coisas afetar a reputação externa de Portugal.

Portas termina com uma reflexão final: “nunca subestimar António Costa.”

"Ingleses estão bastante mais lúcidos do que os seus dirigentes"

Outros dos temas escolhido pelo comentador da TVI foi o tema das eleições locais em Inglaterra. "Desta vez, nem metade dos eleitores foram às urnas. Um primeiro grande sinal de aversão ao sistema político."

Para Portas os resultados são a forma de penalizar os dois maiores partidos e os seus líderes.

As repercussões do golpe de estado na Venezuela também mereceram a análise de Paulo Portas. O responsável recorda que Madura entregou parte do controlo ao militares, concretamente de grandes empresas, não só estatais - o que acaba por ser crucial para que a maioria continue a apoiar o regime vigente. 

Para Portas pode ainda colocar-se uma questão ética sobre Guiadó: "ou tinha compromissos que falharam (explicação possível para o falhado golpe de Estado) ou não tinha essa certeza".  No segundo caso, Porta questiona se é possível "convocarem-se cidadãos e famílias para manifestações de ruas sem ter a certeza que os militares vão dar o passo que um dia darão,  porque o país está a cair aos bocados?"

"As pessoas não podem ser usadas como carne para canhão e essa é uma questão ética relevante", conclui sobre o tema da Venezuela.