O comentador da TVI, Paulo Portas arrasou, este domingo, a gestão que o Governo tem feito da pandemia, acusando o Executivo de António Costa de não ter preparado a segunda e a terceira vaga de covid-19. No espaço de comentário Global, que assina todos os domingos, no Jornal das 8 da TVI, Paulo Portas sublinhou que o Governo falhou “por imprevisão, por imprudência e por inconsequência”.

Não só não prepararam a segunda vaga, não acreditaram que ela chegaria. São criticáveis, com justiça, por imprudência, as regras para Natal e Ano Novo. Foram impensáveis, ainda mais com uma variante mais perigosa no terreno, como se percebeu durante a reunião do Infarmed. (…) Um confinamento desconfinado nem atinge os objetivos de saúde pública, nem atinge os objetivos de economia e emprego. (…) O Governo devia ter a humildade de dizer “errámos e errámos sobretudo na segunda e terceira vaga e vamos corrigir enquanto é tempo”.

 

Mas o comentador não desresponsabiliza o cidadão comum: “As pessoas que dizem que isto não é grave têm de pôr a mão na consciência e perceber que é grave. Os factos são teimosos e os dados são públicos.”

Paulo Portas contraria a ministra da Saúde, Marta Temido, que, este domingo, disse que as exceções do atual confinamento não são muito diferentes das de março.

Não é verdadeiro nem exato dizer que as condições do confinamento de janeiro, um confinamento desconfinado, são iguais às de março, porque não são. Alargaram e isso tem consequências”, disse, lembrando que, no primeiro confinamento, havia pouco mais de três dezenas de exceções e, agora, elas são mais de 50.

O comentador da TVI reforçou ainda que “as coisas têm de ser bem e intensamente explicadas”: “Então temos um confinamento mais light do que em março e a situação é mais grave do que em março. Se a situação é mais grave não pode ser mais leve.”

Portas usou, à laia de metáfora, a imagem de um queijo suíço para ilustrar as medidas decretadas pelo Governo na última semana.

“A sociedade interpreta os sinais que as autoridades dão”

O comentador sublinha, contudo, que o exemplo vem de cima e considera que o Governo devia ter sido mais duro nas medidas implementadas durante as festividades de Natal e Ano Novo.

A sociedade interpreta os sinais que as autoridades dão. Ainda mais um povo latino. Nós temos muitas qualidades, mas temos uma tendência não para cumprir a regra, mas para tentar a exceção. (…) Permitir a circulação de concelhos de risco máximo para concelhos de risco máximo com o vírus à solta? Dizem às pessoas ‘eu não vou dizer quantas pessoas podem estar à mesa da consoada’ e as pessoas interpretam: ‘se não dizes é porque não é relevante’.”

 

Confrontado com a questão de que o Governo poder ter sido “crucificado” caso não tivesse permitido um aligeirar de medidas durante o Natal, Paulo Portas foi taxativo: “Os governos não existem para ser crucificados nem popularizados. De quatro em quatro anos, há eleições e as pessoas escolhem. Os governos existem para fazer o que devem. Não para serem simpáticos, nem para ser populares.”

Mas as falhas das autoridades, considera, transitaram de 2020 para 2021 e Paulo Portas acusa o Governo de deixar o país à deriva durante duas semanas: “No dia 30 de dezembro, Portugal já tinha seis mil casos. Entre 30 de dezembro e 16 de janeiro, passaram 17 dias sem novo confinamento. Quando se deixa um país 17 dias sem a adequada proteção jurídica e de segurança face a um vírus perigoso acontece isto.”

Agora, sublinha, aplanar a curva de novos casos e baixá-la “passa por uma retificação do Governo e por uma retificação do comportamento das pessoas”.

Redação / Publicada por MM