A remodelação governamental, as eleições na Baviera, a campanha eleitoral para a segunda volta das eleições no Brasil e a “semana stressante” que se adivinha para a Europa foram alguns dos temas abordados por Paulo Portas no espaço de comentários Global na TVI.

O comentador da TVI começou por elogiar o secretismo com que António Costa rodeou esta remodelação governamental: “António Costa usou um velho princípio, que é bastante sábio, que é: as remodelações são como as desvalorizações, não se anunciam, fazem-se”. “Utilizou o silêncio e a surpresa, para ter um maior impacto”, considerou.

[António Costa] Tinha um problema urgente para resolver e acabou por resolver quatro. As escolhas que fez são de pessoas experientes politicamente e isso é conveniente para um Governo político, em ano de eleições políticas.”

"Com a remodelação de hoje e com o Orçamento que será apresentado amanhã (…) começou a busca do objetivo principal do doutor António costa no ano de 2019, que é chegar à maioria absoluta”, adiantou.

Paulo Portas adivinha que António Costa se possa vir a arrepender dessa escolha, “mas está a seguir o seu caminho”, “porque acho que as maiorias absolutas de um só partido viram-se normalmente contra os seus líderes”.

“A política hoje tem uma velocidade e uma taxa de desgaste que torna a necessidade do compromisso muito melhor instinto de sobrevivência do que o poder absoluto”, rematou.

Ainda sobre remodelações governamentais, Paulo Portas lembrou que, contando com Portugal, “há três governos na Europa que estão em remodelação: Macron anunciou há 10 dias que ia fazer uma remodelação e ainda não a conseguiu fazer (por ventura, precipitou-se no anúncio); Sanchez não chega sequer a fazê-la, porque os ministros foram demitidos pela Comunicação Social, ou por causa das casas, ou por causa dos impostos ou por causa de doutoramentos falsos…”.

“Hoje começou a contagem decrescente para o fim da era Merkel”

O comentador da TVI falou ainda das eleições na Baviera, que “podem parecer uma eleição regional, mas, na verdade não são”. “Vão ter impacto em Berlim, mais até do que em Munique”, sublinhou.

O que aconteceu na Baviera foi que os dois sócios da coligação da senhora Merkel (…) perderam, agregadamente, cerca de 25% de votos. Portanto, as coisas correram manifestamente mal e vão ter um impacto global. Posso estar enganado, mas suspeito que hoje começou a contagem decrescente para o fim da era Merkel.”

"A senhora Merkel já está no poder há quase 14 anos. É uma sobrevivente extraordinária (…). Mas tudo tem a sua usura. Para que uma coligação viva, é necessário que os sócios dessa coligação considerem que é mais importante estarem juntos do que a tendência natural que é cada um fazer o seu caminho. O que está a acontecer é que os sócios da senhora Merkel estão a começar a convencer-se que estar coligado com ela é um suicídio”, explicou, lembrando que Merkel “tem outra eleição difícil daqui a 15 dias, onde vai perder outra vez muitos votos, e tem de dizer em dezembro, se é candidata a líder do partido ou não”.

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“Bolsonaro não é culpado da situação que o faz eleger”

A 15 dias da segunda volta das eleições no Brasil, Paulo Portas analisou a vantagem conseguida no primeiro turno por Jair Bolsonaro “com olhos brasileiros e não com olhos europeus”. “O sentimento anti-PT e anti-Lula era superior à popularidade que Lula e o PT ainda têm (…). Os brasileiros estão pelos cabelos com os partidos tradicionais e em especial com PT, por causa da criminalidade, da corrupção e da crise económica”, justificou.

“Bolsonaro tem opiniões muito desagradáveis, mas ele não é culpado da situação que o faz eleger”, rematou.