O comentador da TVI Paulo Portas analisou, neste domingo, no seu espaço semanal de comentário no Jornal das 8, "Global", a atualidade nacional e internacional, com destaque para as eleições na Alemanha, que se realizam no próximo dia 26, tal como as autárquicas em Portugal, e com a garantia há muito anunciada de que a chanceler Angel Merkel deixa o poder ao fim de 16 anos.

Paulo Portas destacou uma fotografia da campanha de Olaf Scholz, na qual o atual ministro das Finanças e o provável vencedor das legislativas coloca as mãos numa posição frequentemente vista em Angela Merkel.

Esta fotografia diz tudo. Se olharem bem para as fotografias de Angela Merkel veem-na frequentemente com este gesto de mãos, que é um gesto de cordialidade, de harmonia, de procura de consenso. E ela chegou a fazer uma campanha baseada nisso, que era 'a Alemanha em boas mãos'. Curiosamente, o seu possível e provável sucessor, não da Democracia Cristã [CDU], mas do Partido Social-Democrata [SPD], do mesmo sentido do Partido Socialista português, Olaf Scholz, que é ministro das Finanças dela, fez no início desta campanha, em agosto, esta fotografia extraordinária com a mesma posição de mãos. Ele não precisou de dizer nada, porque isto é a insinuação, através da imagem, de que 'eu sou a evolução na continuidade'", interpretou.

A duas semanas das eleições, a chegada ao poder do SPD é mais do que certa, até pelo desgaste político da CDU, mas a novidade para Paulo Portas assenta na particularidade de, pela primeira vez, poder haver um governo de três partidos na Alemanha.

Há duas regras na Alemanha: os governos são sempre de coligação, porque desde o Terceiro Reich [Alemanha Nazi] os alemães tomaram uma orientação, que é nunca mais entregar o poder a uma pessoa só. É obrigatório fazer uma coligação. Nem eles sabem o que é um governo sem ser de coligação. O que é novo é, pela primeira vez, um governo de três partidos, porque o sistema político também se fragmentou, à esquerda e à direita. Os dois grandes partidos, os sociais-democratas [SPD] e democracia cristã [CDU] já não representam 50% dos votos", observou.

Segundo explicou, ainda, o comentador da TVI, a coligação semáforo, assim denominada devido à cor dos partidos, poderá ser a vencedora, o que implica uma coligação entre o SPD, os verdes e os liberais, sendo que "não é fácil pôr verdes e liberais de acordo".

Há, no entanto, outras duas coligações, a chamada coligação Jamaica, com CDU, verdes e liberais, que será "o último sonho de Merkel", e uma terceira coligação, as esquerdas, "uma hipótese germânica de alguma geringonça", que junta como o próprio nome indica o SPD, os verdes e A Esqueda, isto é, o Die Linke.

Redação / CM