Miguel Sousa Tavares criticou, no Jornal das 8 desta segunda-feira, os resultados da Cimeira dos abusos que terminou este domingo no Vaticano. O encontro do Papa com os principais líderes da hierarquia católica sobre os abusos sexuais cometidos e encobertos pelo clero não teve o desfecho ideal para Miguel Sousa Tavares.

De acordo com o escritor, este encontro “não foi um passo em frente, foi marcar passo” porque falharam alguns pontos.

Destaca o comentador que não houve respostas sobre aspetos fundamentais, nomeadamente quando se esperava “que os padres envolvidos em abusos” seriam “expulsos de sacerdócio, nada foi dito; que os bispos que os encobrissem eram demitidos de funções, também não foi dito; que seriam todos entregues às autoridades, também não foi dito; e que os arquivos do Vaticano onde estão todos os crimes cometidos até agora seriam abertos publicamente e entregues às autoridades, também não foi dito".

No que diz respeito à Venezuela e a uma solução pacífica para a crise que o país atravessa, Miguel Sousa Tavares acredita que "está complicado".

Os Estados Unidos avançaram com mais sanções contra o regime de Nicolás Maduro, depois do bloqueio à entrada de ajuda humanitária na Venezuela.

As novas sanções foram anunciadas pelo próprio vice-presidente americano, numa cimeira em Bogotá, ao lado de Juan Guaidó, o presidente interino que Miguel Sousa Tavares diz que “tem-se esticado nas declarações".

Em Portugal, os magistrados do Ministério Público estão em greve contra a revisão do estatuto do MP, que está a ser debatido na Assembleia da República.

A decisão sobre estrutura do Ministério Público condiciona combate à corrupção", defendeu no Jornal das 8 António Ventinhas, presidente do sindicato dos magistrados do Ministério Público, numa entrevista conduzida por Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares.

O sindicato dos magistrados avançou esta segunda-feira que a adesão à greve está entre os 85 e os 90% com centenas de julgamentos adiados um pouco por todo o país.

Em causa está uma eventual alteração na composição do Conselho Superior do Ministério Público que poderá reduzir o número de magistrados e aumentar os elementos indicados pelo poder político, uma “proposta de base que parte do PSD” e em que “o PS tem sido equívoco”, sublinhou o responsável.