A semana ficou marcada pelo regresso às aulas de milhões de alunos. O primeiro-ministro, António Costa, afirmou estar confiante de um ano letivo sem sobressaltos.

Avillez vê com preocupação “este estado de coisas” e sublinha que, se por um lado é “ótimo que as aulas sejam presenciais”, é preciso olhar para este ano letivo sem esquecer o seu passado recente, nem de um passado “menos recente”, recordando o facto de o atual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, é o ministro que está há mais tempo na sua pasta, desde que há democracia. 

Nós podemos interrogar-nos com seriedade intelectual, moral e política sobre o que é que ele fez em tanto tempo. Gostaria de lembrar um dos principais motores do mau funcionamento e do desperdício educacional que se tem verificado: o fim dos exames”, afirmou.

Para a comentadora da TVI, a medida tira sempre muito mais aos alunos do que o simples “saber do português ou da matemática”, uma vez que “havia toda uma educação que vinha junto à capacidade de fazer um exame”

Maria João Avillez critica ainda a "rivalidade sempre latente neste governo" de culpar o executivo de Passos Coelho, neste caso o anterior ministro da Educação Nuno Crato, dos problemas que ocorrem durante esta legislatura.

Este Governo acha que tudo é culpa de Passos Coelho, ou, neste caso, de Nuno Crato, ministro da Educação de Pedro Passos Coelho, que é uma coisa que já ninguém acredita. E depois, uma coisa extraordinária, continuar a dizer às pessoas coisas que não acontecem ou que já não são assim", explicou.

Sobre os efeitos da pandemia na educação, Avillez admite que a covid-19 veio afetar todos, inclusive os governantes, mas questiona o discurso excessivamente otimista do primeiro-ministro, “sempre à beira de anunciar um país das maravilhas”, que prometeu um computador por aluno em fevereiro de 2020 e, mais de um ano depois, ainda há computadores por chegar.

Outro dos temas escolhidos pela comentadora foi a evocação de Jorge Sampaio, que recordou como “um homem sério e de trabalho”, que “gostava muito de música”. 

Era um homem que se comovia imenso”, contou.

Maria João Avillez