A antiga ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, analisou esta quarta-feira a visão estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal, subscrita por António Costa e Silva, a pedido do primeiro-ministro.

Para Manuela Ferreira Leite, o documento de 120 páginas, intitulado “Visão Estratégica para o plano de recuperação económica e social de Portugal 2020-2030”, "é interessante, mas esperava dele outra coisa".

Dado o nome que lhe foi dado, esperava que estivesse ligado à forma como vamos sair da crise em que estamos envolvidos", começou por explicar.

A especialista refere que o documento "é uma elencagem exaustiva das debilidades da nossa economia" que já se conhecem "há anos" e que, nesse ponto de vista, "não falta nenhum aspeto".

Este documento tem poucas propostas", considerou Manuela Ferreira Leite.

A antiga ministra das Finanças deu o exemplo do mar para explicar as questões que já se sabem "há largos anos":

Há quantos anos temos o mar no centro das atenções com o seu potencial?", questionou.

"Os detalhes são um sarilho para muitas políticas e aqui o detalhe é importante"

Para Manuela Ferreira Leite, este documento liga-se à expectativa dos fundos europeus, no âmbito da pandemia de Covid-19, e que ainda hão de vir.

A comentadora explicou que o problema deste Plano de Recuperação está nos detalhes porque , "quando o dinheiro começar a surgir", vai ter de se resolver "aquilo que ainda é suscetível de salvar", como a TAP e a Efacec.

Os recursos que vamos ter esperemos que cheguem para salvar o que se pode. Há um conjunto de faturas que vão ter de ser pagas ", alertou.

A ex-ministra não vê no documento a utilização de recursos para fomentar a iniciativa privada nem, por exemplo, uma "única palavra" sobre o sistema fiscal.

A seu ver, aquilo que se está à espera por parte da União Europeia é a ajuda para ultrapassar a fase em que estamos, no âmbito da Covid-19, que é também o que justifica os fundos europeus.

Manuela Ferreira Leite alerta que "não nos podemos esquecer que a União Europeia insiste muito em que as ajudas dadas aos países sejam para aliviar os prejuízos, mas serem também aproveitadas para uma nova visão da Europa".

A UE gostaria de ver um certo controlo nos recursos que nos são concedidos", considerou.

Assim, defende que este documento pode tentar servir para responder a essa questão, mas que, no seu ponto de vista, apesar de legítimo, o Plano de Recuperação não a responde porque não apresenta uma estratégia.

Este documento tem conteúdo, mas não apresenta uma estratégia", concluiu.

 
Rafaela Laja